Marli Pereira de Sá de Abreu, esposa do motociclista que morreu no grave acidente envolvendo um trem, um caminhão, dois carros e uma moto em Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, já passou por seis procedimentos cirúrgicos e segue internada em estado grave. Edenilson Domingos de Abreu tinha 52 anos e morreu na hora.

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O casal Edenilson Domingos e Marli Pereira de Sá — Foto: Colaboração/RICtv

Uma parente da vítima contou ao repórter Kainan Lucas, da RICtv, que ela respira com auxílio de aparelhos. Além disso, Marli segue enfrentando risco de morte no Hospital do Trabalhador, em Curitiba. De acordo com a RICtv, a mulher sofreu perfurações nos dois pulmões.

“Falaram que ela tá mais estável do que ontem, porém não consegue se manter sem os aparelhos ligados. Eles fizeram uma cirurgia ontem… Drenaram um lado da barriga dela e amanhã vão fazer outra. A princípio, ela ainda está em estado grave e tem chances de levar a óbito, porém não regrediu. Amanhã eles vão ver a parte do sangramento interno”, disse a familiar.

Quem é o marido de Marli

Edenilson Domingos de Abreu, marido de Marli, tinha 52 anos e trabalhava como metalúrgico. Ele pilotava a motocicleta atingida pelo caminhão e o trem. A mulher ocupava a garupa da moto.

O caminhão envolvido transportava trigo e cruzou a linha férrea no momento em que o trem se aproximava, segundo relatou um dos motoristas que teve o carro atingido. A locomotiva não conseguiu parar e colidiu em cheio com o caminhão, que, com o impacto, atingiu a moto e dois veículos leves.

Vídeo mostra acidente

Um vídeo divulgado pela concessionária responsável pela linha férrea onde foi registrado o acidente mostra o semáforo do cruzamento aberto para os veículos enquanto a locomotiva se aproxima. Na sequência, os quatro veículos são atingidos e arrastados.

colisão entre os veículos aconteceu no cruzamento das avenidas Iraí e Camilo di Lellis, na região central de Pinhais. “Foi uma colisão de impacto grande que parou a região. A vítima [motociclista] estava com lesões muito graves, infelizmente não conseguimos acessá-la com vida”, afirmou o capitão Jonatas Theodoro, do Corpo de Bombeiros.

“O caminhão avançou a preferencial e cobriu nossa visão. Na hora em que o trem ia passando, colidiu com o caminhão, que bateu na gente. Ele saiu levando todo mundo. O caminhão cruzou a preferencial do trem e, consequentemente, não teve como a gente reagir. Foi inevitável a colisão. O carro capotou”, lamentou o motorista do Fiat Palio, Madson Max.

Segundo o Corpo de Bombeiros, três vítimas do acidente recusaram atendimento. A Polícia Científica e o Instituto Médico Legal (IML) foram acionados para perícia e remoção do corpo do motociclista que morreu.

Em nota, a Rumo lamentou o acidente e atribuiu a responsabilidade à conduta imprudente e desrespeitosa do caminhoneiro em relação às leis de trânsito. “Um caminhão-tanque, de forma imprudente e em total desrespeito às leis de trânsito, atravessou a preferencial de uma Passagem em Nível devidamente sinalizada, levando à colisão que envolveu o trem e mais três veículos, além do próprio caminhão”, disse a empresa.

Motoristas negam ter ouvido alerta

De acordo com o delegado Lucas Maia, os motoristas do caminhão, do trem e dos dois carros envolvidos no acidente foram ouvidos na delegacia e deram versões contraditórias sobre o ocorrido.

“Basicamente são versões contraditórias em relação aos motorista do trem, do caminhão e dos carros. O motorista do trem fala que, a partir de um ponto base, ele veio dando avisos sonoros, os quais não foram ouvidos, segundo os relatos prestados na delegacia pelos motoristas dos veículos”, disse o delegado.

A investigação agora foca na análise das câmeras de segurança da região e na verificação da sinalização viária e ferroviária. Imagens iniciais mostram que o semáforo estava verde para os veículos, mas, conforme o Código de Trânsito Brasileiro, a preferência é sempre do trem.

“Vão ser feitas todas essas análises para saber se o trem realmente emitiu esse sinal sonoro, para saber se o motorista do caminhão agiu de maneira imprudente ou não. Em análise preliminar, ali no momento não estava sincronizado o semáforo da via terrestre e nem da via ferroviária”, acrescentou Maia.

Além disso, há dúvidas quanto a presença de um funcionário da empresa responsável pela linha férrea. De acordo com o delegado, o caminhoneiro afirmou ter visto o agente momentos antes da colisão. A Banda B questionou à Rumo se havia algum colaborador da empresa no local, mas a concessionária preferiu não se manifestar.

“O motorista do caminhão disse que visualizou esse funcionário da empresa no momento do acidente, cerca de frações de segundos antes de acontecer. Porém, o funcionário da empresa relata que chegou com 40 segundos de antecedência.”

delegado Lucas Maia.

Uma câmera de segurança mostra outro ângulo do acidente, com áudio. É possível perceber que o trem emitiu sinais sonoros antes de colidir com o caminhão.

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