O filho de 17 anos de Daiana Pereira Barrozo teria participado do crime em que a mãe assumiu a autoria, na última noite de Natal. Ela é acusada de matar por asfixia a amiga, Alexandra Maria da Silva, de 44 anos, após uma discussão por dinheiro e drogas, no bairro Jardim das Américas, em Curitiba. Essa é a tese defendida pelo advogado da família da vítima.

Alexandra tinha lesões pelo corpo e foi morta por compressão no peito.

Em entrevista à Banda B, o advogado Maurício Zampieri afirma que mensagens trocadas pelo Whatsapp mostram que o filho de Daiana admitiu ter participado do crime. “Ele confessa nessa mensagem de Whatsapp que ‘eles’ teriam comprimido muito ela no solo, o que faz cair por terra a versão inicial da acusada de legítima defesa”, afirmou.

“Após termos contato com o laudo de necropsia, emitido pelo IML, nos chamou a atenção de que a vítima foi brutalmente espancada e possuía um edema cerebral. Além disso, mostrava asfixia indireta por compressão no tórax, ou seja, várias pessoas comprimiram ela no solo”, relatou Zampieri. Este tipo de morte é comum apenas em acidentes de trânsito, soterramentos e quedas de objetos de muito peso contra o corpo da vítima, segundo o laudo.

Ele afirma que agora tentará identificar outros responsáveis pelo crime, além de acusar Daiana Barrozo por homicídio doloso. “Nossa tarefa, junto com o Ministério Público, é tentar trazer essas pessoas para o processo, para que a acusada responda por corrupção de menores e condená-la por dolo”, disse à reportagem.

O histórico da suspeita também chamou a atenção do advogado. “Ela já respondeu por um processo de tentativa de homicídio contra ex-marido. Ela estava embrigada e tentou atear fogo no companheiro, além de já ter apresentado embriaguez no volante e tentado agredir policiais militares em abordagem”, acrescentou.

Defesa

Cleonice Santos da Silva, advogada de Daiana, afirma que a discussão não teria sido motivada por dinheiro e drogas, mas sim por um surto psicótico da vítima provocado pelo uso de bebidas alcoólicas associado ao uso de outras drogas. “A vítima fez uso de bebida alcoólica, associada ao uso de cocaína e uma espécie de droga alucinógena, as quais provocaram um surto psicótico. Esse surto deu início à discussão, pois Alexandra partiu para cima do filho da minha cliente, uma criança de apenas 3 anos, dizendo que ‘esse bicho tinha que morrer'”, disse Cleonice que contou ainda que o outro filho de Daiana teria apenas segurado os braços da vítima para impedir que ela agredisse sua mãe.

“Minha cliente apenas tentou imobilizar a Alexandra para impedir que ela tentasse agredir seu filho. Essa versão corrobora com a versão dos próprios policiais, que quando chegaram avistaram ela abraçada à vítima, que por sua vez estava com os braços soltos e tentava agredir Daiana. Foi nesse momento que o filho dela segurou os braços da Alexandra apenas e não teve nenhuma participação no sentido de comprimir o tórax”, relata a advogada.

Sobre as conversas no Whatsapp que mostrariam que o filho de Daiana admitiu ter participado do crime, Cleonice afirma que o laudo pericial comprovando a veracidade dessas mensagens ainda não retornou para o processo.

A advogada de defesa contesta também o laudo de necropsia do IML apontado que a vítima foi brutalmente espancada e possuía um edema cerebral. “Vou solicitar a um perito para que especifique nesse laudo se esse edema foi causado no dia dos acontecimentos ou se ele já se apresentava antes dos fatos. Pois trata-se de um edema difuso, ou seja, pode ser algo que a vítima já tinha anteriormente. O perito irá apontar também quais lesões corporais eram recentes e quais não eram, pois estão dizendo que houve um espancamento, mas não houve. O que aconteceu foi uma luta corporal entre as duas, onde minha cliente apresentou dez tipos de lesões recentes pelo corpo”, finalizou Cleonice.

O crime

O crime aconteceu durante o Natal na casa da acusada, no bairro Jardim das Américas, em Curitiba. Alexandra chegou no dia 24 e permaneceu até a madrugada do dia 26, quando foi morta. Na residência, além das duas, estavam também os quatro filhos de Daiana – que têm entre três e 16 anos de idade.

Pela versão de Daiana, a vítima teve um surto psicótico, falou frases desconexas, por exemplo, que “tinha a missão de matar o filho da Daiana e que estaria possuída”. A Alexandra teria, então, agarrado o filho mais novo de Daiana, momento em que a mãe a segurou e deu um mata leão. O Siate foi acionado, mas quando chegou Alexandra já estava morta.