Rebelião terminou na CCC na manhã desta quinta-feira – Foto Banda B

A rebelião na Casa de Custódia de Curitiba, que começou na noite de domingo (1º), foi encerrada na manhã desta quinta-feira (5). Os amotinados libertaram nesta manhã o último agente que estava como refém. Ao todo, cinco agentes penitenciários foram pegos pelos detentos. O primeiro foi liberado ainda no domingo e outros três saíram nesta quarta-feira. Todos passam bem.

Inicialmente, os presos que participaram da rebelião iriam ser levados para a delegacia para serem indiciados por cárcere privado, tortura, e destruição do patrimônio. Porém, segundo o capitão marcos Roberto, da PM, eles devem permanecer na Casa de Custódia e todos os procedimentos serão feitos ali mesmo para a responsabilização dos líderes do motim. O capitão informou ainda que houve a garantia das transferências de alguns presos de outras unidades para a CCC.

“As exigências viáveis foram atendidas, como o restabelecimento da luz na unidade e da alimentação. Já as transferências exigidas vão demorar um pouco mais já que só há como trazer alguém pra cá em condições de segurança. O local será vistoriado agora enquanto os detentos ficarão no pátio de sol. Houve a garantia da transferência de alguns presos para esta unidade, mas primeiro temos que garantir a paz e a segurança do local”, afirmou.

A principal reivindicação dos rebelados era a transferência de sete detentos que foram levados da Casa de Custódia para outras cadeias do interior do Paraná. Estes presos estariam sendo ameaçados por outras facções.

O capitão informou que o último refém liberado hoje está bem,  mas abalado psicologicamente. “Tudo foi resolvido com paz e tranquilidade”, completou.

Ontem, dois dos servidores soltos foram encaminhados ao Hospital do Trabalhador com ferimentos moderados. Segundo um agente que acompanhou o socorro, que preferiu não se identificar, apesar de tudo o que passaram, os rapazes liberados estão bem. “Eles estão fisicamente machucados, um sofreu uma lesão na testa e estava com os olhos roxos, mas até que saiu em bom estado psicologicamente. Mesmo diante de tudo isso, eles estão tranquilos”, afirmou à Banda B.

Agentes soltos foram encaminhados para o Hospital do Trabalhador. (Foto: Antônio Nascimento – Banda B)

Para o trabalhador, a rebelião na CCC é mais um exemplo da precariedade do sistema prisional brasileiro. “Em todo local onde nós prestamos serviços o risco é iminente, de fuga, de rebelião…”, desabafou.

O motim teve início por volta das 18h de domingo, motivado por uma briga entre grupos rivais. Dos cerca de 600 presos, 172  se rebelaram em uma das galerias.

Tentativa de fuga em Piraquara

Quase que simultaneamente à soltura dos agentes na CCC, uma tentativa de fuga foi registrada na Casa de Custódia de Piraquara, na região metropolitana de Curitiba. De acordo com o Departamento Penitenciário do Paraná (Depen), três detentos que estavam em celas modulares tentaram fugir, mas uma equipe da Seção de Operações Especiais (SOE) interveio e conseguiu evitar a ação. O Depen ainda informou que a situação está normalizada e não há informação sobre feridos.