Jhonatan Barros Cardoso, de 27 anos, preso sob a suspeita de matar o jornalista Cristiano Luiz Freitas, negou ter cometido latrocínio (roubo seguido de morte) e afirmou, por meio de sua defesa, que o crime ocorreu após uma “discussão acalorada” durante um programa sexual contratado pela vítima.

Segundo o advogado do suspeito, houve um desentendimento sobre o pagamento do serviço, que levou a uma briga física dentro da casa do jornalista, no bairro Jardim das Américas, em Curitiba. Cristiano foi encontrado morto, com as mãos amarradas e a boca coberta por fita adesiva.

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Jhonatan Barros Cardoso, de 27 anos, suspeito de matar o jornalista Cristiano Luiz Freitas, de 48 – Foto: Reprodução/Redes sociais

“A defesa teve acesso a prints de conversas que esclarecem essa versão”, afirmou o defensor. A Banda B solicitou as capturas de tela mencionadas pelo advogado, mas não obteve retorno até o momento.

“Houve uma discussão acalorada e, posteriormente, um embate físico que, infelizmente, terminou na morte do jornalista”, destacou Valter Ribeiro Júnior, que alegou que a “versão retratada pela autoridade policial não se trata da realidade dos fatos”.

O advogado destacou que a prisão de Jhonatan Barros Cardoso ocorreu em um contexto diferente do assassinato de Cristiano Luiz Freitas. Ele ressaltou que a investigação ainda está em andamento e que várias informações precisam ser analisadas “antes que qualquer conclusão precipitada seja feita”.

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O jornalista Cristiano Luiz Freitas, encontrado morto em casa na terça-feira (4), em Curitiba – Foto: Reprodução/Facebook

Extorsão e roubo

De acordo com a Polícia Civil, o homem também é investigado sob a suspeita de extorquir e roubar pelo menos seis pessoas. As investigações apontam que o suspeito marcava encontros por aplicativo e, após ameaçar as vítimas com uma arma de fogo, as forçava a realizar transferências via Pix.

“Ele possui outros casos parecidos. Ele era um garoto de programa, oferecia seus serviços em alguns sites na internet. A gente acredita que o suspeito fez uma tratativa com a vítima, que era homossexual. Agora, os detalhes, a gente não sabe ainda. Vamos tentar descobrir através de outros elementos”, explicou o delegado Ivo Vianna nesta quinta-feira (6).

Banda B apurou que Jhonatan foi preso no final do ano passado, após marcar um encontro amoroso com uma vítima e roubar R$ 5 mil dela, além de agredi-la. Ele ficou preso por quatro meses e foi solto 50 dias antes da morte do jornalista Cristiano Freitas, por decisão da Justiça.

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Jhonatan Barros Cardoso foi flagrando entrando e saindo da casa do jornalista; ação levou 11 minutos – Foto: Reprodução

Em janeiro, ele foi condenado por roubar e extorquir outra vítima em Curitiba. O criminoso, que passou quatro meses e 25 dias na prisão, após ter sido preso em agosto de 2024, foi solto em 13 de janeiro por decisão da juíza Fernanda Orsomarzo, da 8ª Vara Criminal de Curitiba.

O crime contra a outra vítima – um rapaz que não será identificado – aconteceu em 20 de agosto do ano passado. Na ocasião, Jhonatan entrou no apartamento da vítima e, poucos minutos após chegar, anunciou o assalto armado. Ele roubou um celular avaliado em R$ 15 mil, um molho de chaves e forçou a vítima a realizar um pagamento via Pix no valor de R$ 3.500.

Após o roubo, a vítima conseguiu acionar a Polícia Militar (PM). Com base nas características de Jhonatan e no rastreamento do celular roubado, os agentes o localizaram em um pensionato na região central de Curitiba.

De acordo com a sentença de 44 páginas, Jhonatan confessou o crime, devolveu os pertences e o dinheiro da vítima, e explicou que havia sido contratado para um programa sexual. No entanto, devido a um desacordo sobre o pagamento, ele cometeu o roubo e a extorsão.

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Jhonatan é garoto de programa e investigado sob suspeita de roubar e extorquir ao menos seis vítimas – Foto: Reprodução/Redes sociais

“Ele (vítima) falou que só iria enviar cento e cinquenta reais para o depoente (Jhonatan); que o combinado tinha sido o valor de trezentos e cinquenta reais; que se encontrava com uma arma de airsoft que tinha adquirido horas antes porque, antes disso, já tinha acontecido uma outra vez de ir realizar os serviços e a pessoa não enviar o dinheiro para o depoente”, diz trecho da sentença.

Ainda conforme o depoimento, Jhonatan afirmou que começou a trabalhar como garoto de programa em junho de 2024, após ficar desempregado e acumular dívidas. Ele relatou que costumava utilizar aplicativos para agendar os encontros. No final, o suspeito pediu desculpas pelo assalto.

Jhonatan foi condenado a uma pena de quatro anos, oito meses e 12 dias de prisão no regime semiaberto pelos crimes de roubo e extorsão contra a vítima em agosto. Contudo, a sentença foi ajustada para quatro anos, três meses e cinco dias, considerando o tempo que ele já havia cumprido na prisão.

A juíza optou por revogar a prisão preventiva de Jhonatan, impondo medidas cautelares, e permitiu que ele recorresse da sentença em liberdade, com base em uma jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ).