O suspeito de atropelar e matar José Jurandir, de 61 anos, na Rodovia dos Minérios em fevereiro deste ano, em Almirante Tamandaré, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), foi indiciado por homicídio culposo e omissão de socorro após um caso cercado de mistério, contradições e suspeitas graves.

No dia 6 de fevereiro, enquanto voltava para o trabalho, Jurandir foi atingido por um carro e abandonado na estrada. A suspeita é de que, por volta das 12h30, ao tentar atravessar a via, ele foi atropelado. O motorista fugiu sem prestar socorro e não se identificou.
A esperança por justiça, no entanto, começou com o relato de uma testemunha ocular. Ela afirmou ter visto um Volkswagen Santana fugindo do local do atropelamento. A informação foi repassada à família e se tornou peça-chave para o início das investigações da Polícia Civil. As informações são da Ric RECORD.
Posteriormente, o veículo foi localizado completamente carbonizado. A perícia da Polícia Científica confirmou que se tratava do mesmo carro envolvido no atropelamento de Jurandir. Diante disso, a polícia passou a investigar também quem teria ateado fogo no carro, tratando o caso como possível tentativa de ocultação de provas.
Veículo que atropelou Jurandir estava sendo negociado
No mesmo dia do crime, o Santana estava sendo negociado em um cartório da região. O antigo proprietário tinha um intermediador na venda, apontado como Norberto Pereira Marques, que teria saído dirigindo o carro, conforme depoimentos.
A situação, no entanto, se tornou ainda mais confusa durante os depoimentos. As pessoas envolvidas participavam de negociações simultâneas envolvendo a venda do carro e de um terreno. Mesmo após prestarem esclarecimentos à Polícia Civil, não conseguiram explicar de forma clara os acontecimentos.
Segundo o delegado Gabriel Rocha, foi preciso até mesmo de depoimentos complementares para entender a situação.
“Principalmente, nos primeiros momentos, as pessoas que foram intimadas não tinham sido suficientemente esclarecedoras dos seus depoimentos e tiveram que ser novamente intimadas a prestarem depoimentos complementares e somente sanar essas incongruências que existiam naquele momento”
explicou.
Versão contraditórias
Inicialmente, o antigo proprietário afirmou que havia vendido o veículo diretamente para o novo dono. No entanto, em depoimento complementar, mudou a versão e disse que não o conhecia, alegando que a negociação foi intermediada por Norberto.
Além disso, o antigo proprietário declarou que a última pessoa que viu dirigindo o carro foi o próprio Norberto. Segundo a polícia, após o atropelamento, Norberto teria entregue o veículo a outra pessoa, que havia comprado o carro para o avô do novo dono. O Santana já estava danificado, mas essa versão não convenceu os investigadores.
“Essas testemunhas disseram que desconfiaram em virtude do para-brisa estar bastante danificado. Então eles chegaram a crer que não seria animal e sim uma pessoa. Alguns dias depois, eles souberam através das notícias que uma pessoa teria sido atropelada na Rodovia dos Minérios e teria evoluído a óbito. Assim eles desconfiaram que esse veículo, que estava sendo dirigido pelo investigado, poderia estar envolvido neste acidente fatal”
afirmou o delegado.
Suspeito tentou manipular comprador de Santana
Outro ponto grave da investigação envolve uma suposta tentativa de manipulação. De acordo com a Polícia Civil, Norberto teria enviado áudios ao comprador tentando induzí-lo a mentir em depoimento. Nas mensagens, ele sugeria que a testemunha afirmasse que o carro havia desaparecido.
“De fato, não chegou mesmo. Não tem carro nenhum lá, entendeu? O carro está aí? Não tem, né? Sumiu! Eles têm que achar o carro. Eles estão atrás do carro para poder fazer perícia. Vai dar em nada”
disse Norberto em áudio.
Um detalhe que chama atenção é o histórico criminal de Norberto. Ele já respondeu por homicídio qualificado em 2009 e também foi condenado por receptação em 2024, quando chegou a ser preso em flagrante.
Apesar da pressão, o comprador se recusou a participar da fraude e relatou os fatos à polícia. Com o inquérito concluído pelo delegado Gabriel Rocha, Norberto Pereira Marques foi indiciado por homicídio culposo e omissão de socorro.
O caso agora está sob análise do Ministério Público do Paraná (MPPR)
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