‘Que essa pena sirva de exemplo’, diz irmã de Renata Muggiati sobre condenação de Raphael Suss Marques

Raphael foi condenado a mais de 32 anos de prisão pela morte de Renata. Irmã da vítima disse que agora vai ao CRM denunciá-lo

Lucas Sarzi

Os oito anos de espera, que antes pareciam uma eternidade à família, nesta semana, viraram 27 horas. Este foi o tempo que levou o julgamento de Raphael Suss Marques, condenado pela morte de Renata Muggiati, crime que aconteceu em setembro de 2015 e na madrugada desta sexta-feira (10) foi julgado. 

A irmã da vítima, que encabeçou a luta por Justiça desde o começo, disse que o resultado traz alívio e é também um recado à população paranaense. Segundo Tina Gabriel, ela nunca teve dúvidas de que Raphael seria condenado. Também disse estar decidida a denunciar o assassino de sua irmã em outras circunstâncias.

Foto: Lucas Sarzi/Banda B.

“Tenho dito que o que eu mais queria e esperava era que a Justiça do Paraná demonstrasse para a sociedade paranaense, que o Estado do Paraná, não aceita mais esse crime tão cruel que é o feminicídio. Eu esperava uma pena exemplar, e que essa pena sirva de exemplo para que todas as vítimas de violência doméstica encontrem acolhimento na Justiça do Paraná”. 

Tina disse que o caso de Renata deve servir também de alerta às outras mulheres. É preciso falar.

“A sociedade tem que entender que esse tipo de crime não é mais aceitável. A gente não pode mais aceitar a violência doméstica, que culmina num feminicídio, um crime muito cruel”. 

Júri difícil

Os dois dias de julgamento foram bem difíceis e maçantes, tanto para quem atuou quanto para quem acompanhou. No primeiro dia, foram ouvidas primeiro as testemunhas de acusação, que trouxeram informações técnicas que levavam Raphael à autoria do homicídio. Depois, foram ouvidas testemunhas da defesa, que tentavam fazer ser aceita a todo custo a tese de que Renata havia se suicidado.

No segundo dia de julgamento, o trabalho da perícia criminal, feita pela equipe do Instituto de Criminalística, foi colocado em xeque pela defesa de Raphael. Um engenheiro foi contratado para que fizesse uma perícia à parte e demonstrasse que a perícia feita pelo órgão oficial era errônea. 

A irmã de Renata considerou que o processo como um todo foi muito difícil. Ao mesmo tempo, disse que nada seria possível sem um trabalho em equipe das autoridades.

“Foi muito difícil. Mas eu tive muito apoio de todos, da Polícia Civil, quero agradecer ao IML, aos profissionais do IML, gente que a gente não vê e que faz um trabalho maravilhoso. Ministério Público, aos meus advogados [Maria Francisca Accioly e Daniel Laufer], que representaram minha irmã de uma maneira impecável, tiveram sensibilidade. Tenho só que agradecer porque graças a essas pessoas eu consegui chegar hoje aqui com a força que eu tenho hoje”. 

Foto: Lucas Sarzi/Banda B.

Além da condenação

Raphael Suss Marques foi condenado a mais de 32 anos de prisão pela morte de Renata Muggiati. Apesar disso, a irmã da vítima revela que vai atrás de outras medidas contra ele, a começar pelo Conselho Regional de Medicina (CRM), já que o agora considerado autor da morte de Renata é médico.

“Pretendo fazer tudo que a lei me permite fazer. Se a lei me permite ir ao CRM eu vou, porque a medicina que ele pratica não é uma medicina correta. Uma pessoa que mata outra pessoa de forma cruel como ele matou, eu não acredito que possa exercer a medicina, porque há o juramento do médico”. 

Tina explicou a decisão de lutar para que Raphael pague em outras circunstâncias como uma forma de continuar honrando o nome da irmã e também de outras mulheres. 

“Minha irmã não foi a única vítima dele, a gente não pode esquecer que ele já teve uma condenação por violência doméstica enquanto respondia ao processo da minha irmã. Ele envergonha a classe médica. Vamos tomar todas as providências que a gente puder”.

O advogado de Raphael Suss Marques, Edson Abdala, não se manifestou sobre a decisão do júri.

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