Vítima baleada pelo ex no Dia da Mulher vive com medo após agressor se apresentar e sair pela porta da frente de delegacia

O suspeito se apresentou na Casa da Mulher Brasileira nesta terça-feira (10) e foi liberado em seguida

Apuração Antônio Nascimento

Uma mulher, de 31 anos, que sofreu tentativa de feminicídio no último domingo (8), em pleno Dia Internacional da Mulher, vive escondida e com medo após ser baleada pelo ex-companheiro no bairro Caximba, em Curitiba.

O suspeito se apresentou na Casa da Mulher Brasileira nesta terça-feira (10) e foi liberado.

Mulher que sofreu tentativa de feminicídio no Dia Internacional da Mulher tinha medida protetiva. Foto: Cristiano Vaz/Banda B.

Segundo a vítima relatou à Banda B, o homem foi até a delegacia acompanhado de uma advogada e deixou o local após ser ouvido pelas autoridades responsáveis pelo caso.

“Hoje ele foi lá se apresentar e simplesmente saiu pela porta da frente”

disse a mulher, inconformada com a situação.

Defesa pede prisão preventiva do suspeito

O advogado da mulher, Ivonei Schifler Siqueira, afirma que já foram comunicadas à Justiça as violações da medida protetiva. Segundo ele, há expectativa de que a prisão preventiva seja decretada rapidamente.

“A partir do momento em que o juiz for notificado da quebra da medida protetiva, da violação das protetivas do acusado, tanto pelo boletim de ocorrência quanto pela petição protocolada hoje cedo, espera-se que seja decretada a prisão preventiva o quanto antes”

disse o advogado.

Ele também classificou o caso como uma tentativa de feminicídio, por isso, entende que é necessário que o suspeito seja preso e responda pelo crime.

“Cidadão tentou cometer um feminicídio. A intenção dele era que se concretizasse, então assim, o mínimo que se espera é que ele seja recolhido da sociedade, posto em prisão preventiva e responda por tentativa de feminicídio”

alegou.

Vítima vive escondida

Desde o atentado, a mulher afirma que está escondida e com medo de sofrer um novo ataque. Ela também relata que familiares estão sendo ameaçados. Segundo a vítima, o suspeito afirma que sabe onde todos moram e usa a informação para coagir a ex-companheira.

De acordo com ela, os filhos do casal, que presenciaram a situação, estão psicologicamente abalados e deixaram de frequentar a escola. A mulher também afirma que o ex-companheiro já havia avisado que cometeria o ataque caso ela não retomasse o relacionamento.

A vítima revelou que o autor do crime já teria feito ameaças por meio de aplicativo de mensagens instantâneas. “Estou tentando resolver da melhor forma, você que não quer voltar“, seria uma das ameaças.

Histórico de ameaças após separação

A mulher relata que passou a ser perseguida desde a separação do casal, ocorrida há cerca de um ano. O relacionamento durou aproximadamente 15 anos, mas uma mentira levou ao fim do casamento.

Segundo informações, o suspeito tirou uma foto do sogro internado no hospital e utilizava a imagem para pedir dinheiro emprestado a outras pessoas, alegando que precisava comprar medicamentos. Entretanto, era tudo mentira.

O dinheiro era usado para jogos de azar. Ao descobrir a situação, a vítima decidiu sair de casa. Ela também afirma que o ex-companheiro não demonstrava esse comportamento antes da separação.

De acordo com a mulher, a situação se agravou no dia 26 de fevereiro, quando o suspeito passou a intensificar as ameaças e perseguições. Diante do risco, ela solicitou uma medida protetiva contra ele.

No dia 27 de fevereiro, a Justiça concedeu a decisão. Já em 4 de março, o suspeito foi oficialmente comunicado que deveria manter-se afastado da ex-companheira. Mesmo assim, quatro dias depois, no dia 8 de março, ocorreu o atentado.

A vítima questiona até quando vai precisar viver escondida e com medo constante, sem segurança para si mesma e para a família.

“Até quando eu vou ter que viver escondida? E a minha família, fica como? Ele ameaçando o tempo inteiro”

desabafou.
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