O júri dos acusados pela morte de Ana Paula Campestrini começa nesta quinta-feira (23). O crime aconteceu em 22 de junho de 2021, no bairro Santa Cândida, em Curitiba. Serão julgados o ex-marido da vítima e ex-presidente do clube Morgenau, Wagner Oganauskas; e um amigo dele e também ex-diretor do clube, Marcos Antonio Ramon.
De acordo com a denúncia do Ministério Público do Paraná (MPPR), os denunciados Wagner e Marcos cometeram o homicídio contra Ana Paula por razões da condição do sexo feminino, no âmbito da violência doméstica e familiar.
Além disso, o MPPR cita a lesbofobia como motivo para o crime, já que o ex-marido de Ana não aceitava o novo relacionamento mantido pela vítima com uma mulher.
Eis que a vítima Ana Paula era ex cônjuge de Wagner, demonstrando, desta forma, inaceitável machismo e intolerável misoginia, que naturalizam a violência de gênero e perpetuam a desigualdade entre homens e mulheres, o que é rechaçado pela Constituição Federal.
Ministério Público do Paraná.
Ambos podem ser criminalizados por feminicídio com as qualificadoras de motivo torpe, pagamento de recompensa e impossibilidade de defesa da vítima. Ramon também responde por fraude processual.
Espaço Banda B – Família de Ana Campestrini
À Banda B, o advogado Jeffrey Chiquini afirmou que a condenação dos acusados pela morte de Ana Campestrini “será uma resposta à sociedade, que ainda acredita na justiça estatal”.
Amanhã, representaremos a força que a Ana Paula teve, e foi, durante sua vida. Estamos confiantes que a justiça será feita e tranquilos que a condenação é a medida mais correta e justa. Estamos diante de um processo que conseguiu, sem qualquer dúvida, a culpa dos acusados. (…) O julgamento será com base em provas. Nossa busca por justiça é feita, exclusivamente, com base em provas. Está provada a culpa. Só iremos mostrar as provas constantes do processo aos jurados para entenderem que a condenação é a medida mais justa e esperada por toda a sociedade.
Jeffrey Chiquini, em fala enviada à Banda B.
Espaço Banda B – Defesa de Oganauskas
A Banda B entrou em contato com a defesa de Oganauskas para obter um posicionamento sobre a expectativa pelo júri. Em nota enviada à reportagem, os advogados falaram o seguinte:
Caso Júri Ana Paula Campestrini – Nota à imprensa:
A defesa de Wagner Cardeal Oganauskas, desde o inquérito policial e ao longo de toda a instrução processual, sustenta a inocência de Wagner com base nos elementos constantes do processo. A acusação contra Wagner se baseia em narrativas forçadas e elementos circunstanciais, incapazes de sustentar uma condenação dentro de nosso direito processual.
Elias Mattar Assad
Karoline Alves Crepaldi
Flávio Warumby LinsCuritiba, 22 de fevereiro de 2023.
Espaço Banda B – Defesa de Ramon
O advogado Vicente Bonfim, que defende Marcos Antonio Ramon, foi pontual ao dizer que os detalhes serão esclarecidos durante o julgamento.
Marcos vai esclarecer todos os fatos, vai negar a denúncia, da forma que ela está apresentada. Com isto, a gente espera que a justiça seja feita.
Vicente Bonfim, advogado de Marcos Antonio Ramon, em fala à Banda B.
A morte de Ana Campestrini
Ana Campestrini foi morta em junho de 2021. Na ocasião, a vítima foi induzida a ir até ao Clube Morgenau fazer a carteirinha para ter acesso aos treinos dos filhos na unidade. Depois que saiu, foi perseguida pelo atirador até a entrada do condomínio onde morava, no bairro Santa Cândida, em Curitiba.
Chegando na residência, foi abordada pelo homem que a perseguiu em uma motocicleta. Quando Ana Paula abaixou o vidro do carro, Marcos teria atirado, aproximadamente, 14 vezes contra ela.
Com início às 8h30, o julgamento acontece no Centro Judiciário de Curitiba e todos os detalhes podem ser lidos no Portal Banda B.
