A irmã da fisiculturista Renata Muggiati, Tina Gabriel, reforçou à Banda B nesta quarta-feira (13), o pedido feito pelo Ministério Público do Paraná (MPPR) há uma semana, para que o médico Raphael Suss Marques, acusado de matar Renata, volte à prisão. Segundo o MP-PR Raphael teria descumprido algumas condições estabelecidas pela Justiça para responder pelo crime em liberdade. De acordo com as investigações, em 23 de janeiro deste ano, o médico desobedeceu a proibição imposta pela Justiça de frequentar bares e similares e foi flagrado em um torneio de pôquer, em Curitiba, no mesmo dia em que apresentou uma falsa justificativa para faltar a uma audiência do processo.

Renata caiu do 31º andar de um prédio, no Centro de Curitiba, em setembro de 2015. O médico é réu no processo e está em liberdade desde agosto de 2017, com monitoramento de tornozeleira eletrônica.
“O Raphael debocha da Justiça desde o momento em que tentou simular que minha irmã teria cometido suicídio, debocha quando fraudou um laudo e agora debocha indo jogar pôquer no dia da audiência. Conhecendo a personalidade dele, isso não me surpreende. Mas eu confio na Justiça. Não acredito que o pedido de nova prisão seja negado. Ele já recebeu o direito de liberdade condicional duas vezes e, nas duas vezes, descumpriu as condições impostas. Não é uma pessoa que possa ficar em liberdade usando tornozeleira eletrônica”, afirmou Tina.
Nesta terça-feira (12), o MPPR reforçou o pedido de revogação do habeas corpus e da prisão preventiva de Raphael Marques. a Justiça ainda não se manifestou.
“Chegou ao nosso conhecimento que enquanto se realizava a audiência, o réu encontrava-se participando de um campeonato de Pôquer.(…) Nós verificamos que naquela data havia um torneio do qual o médico encontrava-se inscrito, conforme folder e fotografias do local, onde aparece o acusado e seu nome em painel eletrônico”, afirma o documento, que contém imagens de Raphael Suss no estabelecimento.
Para provar o descumprimento das decisões judiciais, o MPPR ainda anexou fotos de comandas do réu nos bares e prints do percurso percorrido por ele até o torneio de pôquer.
Para o assistente da acusação, o advogado Claudio Dalledone, o MPPR está correto em pedir que Raphael volte para a cadeia. “Comungo desde pedido do Ministério Público. O acusado não deu sua contrapartida por aguardar ao processo em liberdade. Não se pode zombar da Justiça. Isso não é uma brincadeira. Não tem criança neste jogo. Não outro caminho a não ser a decretação da prisão”, afirmou Dalledone.
Caso Renata Muggiati
Renata Muggiati morreu no dia 12 de setembro de 2015, após supostamente cair do 31° andar do prédio onde vivia. Inicialmente o caso foi tratado como suicídio, mas novos fatos apontaram para a possibilidade de um crime.
Poucos dias depois, a Justiça do Paraná decretou a prisão temporária de Suss pela morte da fisiculturista. O Instituto Médico Legal indicou que a morte de Renata aconteceu por asfixia e não pela queda.
Em agosto de 2017, o médico foi beneficiado por um habeas corpus e, desde então, responde o processo em liberdade
Outro lado
Segundo o advogado de defesa de Raphael, Edson Abdala, seu cliente não precisaria estar nesta audiência e isso já havia sido decidido pela Justiça. “A posição do MP é muito equivocada porque a defesa fez o pedido à Justiça para que o dr. Raphael fosse dispensado das audiências de instrução por entender que não seria necessária a presença dele. Tanto o MP quanto a assistência de acusação concordaram com o requerimento e a juíza deferiu a dispensa dos atos de instrução, isso sem nenhuma vinculação ao trabalho ou qualquer coisa que o valha”, afirmou Abdala.
Leia aqui a defesa na íntegra
https://www.bandab.com.br/seguranca/clube-nao-e-bar-e-poquer-e-jogo-de-inteligencia-diz-defesa-de-raphael-sobre-pedido-de-prisao/