Entrevista coletiva da PF nesta sexta-feira – Foto: Banda B

A Polícia Federal deu detalhes na manhã desta sexta-feira (15) de como a quadrilha que fraudava contas da Caixa Econômica Federal, (CEF) agia para sacar dinheiro de clientes. As investigações apontam um esquema complexo com o qual a quadrilha conseguiu desviar R$1,2 milhão de reais de 70 clientes. Entre as vítimas está o ex-jogador do Atlético Paranaense, Anderson Lopes. O atacante, que no ano passado trocou o Atlético pelo futebol japonês, também teve sua conta poupança zerada pelo bando.

A Operação DUAS-CARAS deflagrada hoje levou 12 pessoas para a cadeia e indiciou ao todo 20 suspeitos, inclusive um funcionário do banco. Todos estão sendo acusados de crimes como furto qualificado, estelionato qualificado, peculato, uso de documento falso, falsificação de documento público e associação criminosa.

De acordo com a PF, os saques eram a parte final do “grande esquema criminoso” liderado por um estelionatário “famoso” de Curitiba. Entre os envolvidos está ainda um funcionário do banco que trabalhou até agosto em São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, e depois foi transferido para João Pessoa. Também faziam parte do esquema um funcionário dos Correios e um funcionário de cartório – que ajudava na falsificação de assinaturas. Foram 10 meses de escuta até a prisão da quadrilha.

Operação foi deflagrada pela PF

De acordo com o delegado da PF, Rodrigo Martins Moraes da Silva, o funcionário suspeito pesquisava e identificava contas poupança de clientes do banco com grandes saldos e que não apresentava histórico de retiradas, repassando os dados dos clientes ao líder do grupo criminoso investigado. “Os saques eram feitos em caixas eletrônicos, no valor de até 1,5 mil ou na boca do caixa com saques de até R$ 5 mil para não levantar suspeita. Neste caso, os golpistas se apresentavam com documentos falsos e assinavam igual ao dono da conta. Assim o funcionário não desconfiava de nada. Tudo com informações do funcionário da CEF que foi preso”, afirmou o delegado.

Os cartões para saques chegavam pelos Correios em endereços falsos. Os golpes começaram a ser descobertos quando alguns clientes perceberam que o dinheiro sumiu. “Eles iam sacando até acabar o dinheiro da poupança. Alguns clientes descobriram que o dinheiro sumiu e denunciaram. Outros não perceberam até hoje, mas agora vão saber”, disse. Segundo o delegado, a CEF ressarciu todos os clientes.

Cerca de 150 Policiais Federais cumpriram 56 mandados judiciais, sendo 23 mandados de busca e apreensão, 6 mandados de prisão preventiva, 7 mandados de prisão temporária, 6 mandados de sequestro de bens e 1 mandado de suspensão do exercício da função pública por equiparação, nos estados do Paraná, Santa Catarina e Paraíba.

O golpe

Com os dados dos clientes em mãos, o líder do grupo solicitava a elaboração de documentos falsos, complementando os demais dados necessários com outros participantes do grupo, que geralmente possuíam acesso a banco de dados, em razão de suas profissões.

Os investigados entravam em contato com a central de cartões da Caixa e, se passando pelos clientes, informavam a “falsa” perda do cartão bancário, fato que gerava um novo envio de cartão.

Os cartões eram retirados nos centros de distribuição dos Correios com uso de documentos falsos, e se iniciava a série de saques nos caixas eletrônicos, compras na modalidade débito e saques e transferências na boca do caixa, até que o dinheiro nas contas se esgotasse ou que o crime fosse descoberto.

O nome da operação é uma referência a atuação do funcionário da Caixa investigado, que “age de um jeito ou de outro dependendo com quem está”, o que torna a pessoa conhecida por ser DUAS-CARAS.