Estudante de biomedicina foi denunciado 9 meses antes de idosa morrer por conta de procedimentos estéticos em Curitiba

Estudante se apresentava como dentista e biomédico, mesmo sem possuir registro profissional; vítima foi submetida a plasma facial, lipo de papada e lipoenxertia nos seios

Guilherme Lara da Rosa

O estudante de biomedicina investigado por envolvimento na morte da idosa Silvana de Bruno, de 66 anos, após vários procedimentos estéticos feitos em Curitiba, havia sido denunciado ao Conselho Regional de Biomedicina do Paraná (CRBM-6) nove meses antes do óbito dela. A identidade do suspeito não foi divulgada.

Segundo a Polícia Civil, a idosa apresentou complicações graves após passar por procedimentos como plasma facial, lipo de papada e lipoenxertia nos seios. Ela morreu na quinta-feira (2) em decorrência de choque séptico e infecção de pele e partes moles. A mulher era funcionária pública municipal.

De acordo com a delegada Aline Manzatto, o estudante se apresentava como dentista e biomédico, mesmo sem possuir registro profissional. Os procedimentos invasivos eram feitos por ele em clínicas localizadas nos bairros Centro, Campo Comprido e Cabral.

Jovem responde ao processo em liberdade – Foto: Reprodução/Ric RECORD

Após as complicações, Silvana teve de passar por uma mastectomia total, com remoção completa das mamas e parte do tecido do tórax.

Em nota, o Conselho Regional de Biomedicina do Paraná informou à Banda B que recebeu, em janeiro deste ano, uma denúncia anônima sobre as condutas do estudante. Devido à falta de um documento que comprovasse o título do jovem, de 21 anos, ele foi denunciado pelo próprio órgão ao Ministério Público do Paraná.

“Nós verificamos que ele não tinha registro no Conselho e foi convocado a prestar esclarecimentos. Ele apresentou uma defesa por escrito e em nenhum momento ele apresentou qualquer comprovação de que realmente era biomédico. Nós encaminhamos um ofício para o Ministério Público por exercício ilegal da profissão”, disse Thiago Massuda, presidente do CRBM-6.

Em diligências feitas na quarta-feira (8), a Polícia Civil, em conjunto com a Vigilância Sanitária (Visa) e o Conselho Regional de Medicina (CRM), apreendeu seringas e medicamentos usados nos procedimentos.

“Diante dos fatos, o estudante foi indiciado pelo crime de exercício ilegal da medicina e prestou esclarecimentos na delegacia sobre o homicídio doloso, por ter assumido o risco de causar a morte ao realizar procedimentos cirúrgicos em local inadequado e sem habilitação”, explicou Manzatto.

Se condenado, a pena do suspeito pode chegar a 30 anos de prisão. A polícia não divulgou os nomes das clínicas. Ele responde ao processo em liberdade.

1/3 Imagem mostra itens apreendidos no local onde estudante atuava – Foto: Divulgação/Polícia Civil
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“Não foi possível realizar prisão em flagrante, tendo em vista que, após o óbito da vítima, dois ou três dias depois a família procurou aqui a delegacia. Então ele não estava mais em situação de flagrante pelo crime de homicídio. Foi instaurado um inquérito por homicídio doloso. Embora ele não tenha tido a intenção de matar, ele assumiu o risco de produzir esse resultado”, disse a delegada Camila Cecconello, da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

A Banda B questionou ao Ministério Público do Paraná sobre qual foi o encaminhamento dado à denúncia recebida em janeiro de 2025, se houve alguma ação ou recomendação anterior à morte da vítima e qual é o posicionamento do órgão diante da gravidade dos procedimentos realizados pelo estudante. Em nota, o MP disse que “não chegou nenhuma denúncia a esse respeito até o presente momento”.

A Banda B tenta localizar a defesa do suspeito.

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