Um vídeo viralizou nas redes sociais ao mostrar um momento de desespero seguido por uma emocionante demonstração de afeto: duas crianças soltam o freio de mão de um carro, que cai em uma ribanceira, a reação do pai surpreende ao acolher os filhos de forma amável e levantou o debate sobre a importância do acolhimento de crianças em situações extremas.

De acordo com psiquiatra da infância e adolescência do Hospital Heidelberg, Vinicius Braga, a reação dos pais em situação de alta gravidade ou estresse exercem influência direta e significativa na organização emocional das crianças e dos adolescentes.
“A criança não é uma página em branco, mas a forma como o cuidador reage contribui para a formação dos modelos internos de funcionamento, que estruturam a percepção que ela desenvolve sobre si mesma, sobre o outro e sobre o mundo”.
Mais de 80% dos 4 mil jovens que participaram de uma pesquisa vivenciaram pelo menos um evento traumático até os 18 anos. O estudo, realizado pela Universidade de São Paulo em parceria com a Universidade de Bath, no Reino Unido, estima que 30,6% dos diagnósticos psiquiátricos até os 18 anos estejam relacionados a experiências traumáticas da infância.
Braga ainda ressalta que reações reguladas, como o caso que viralizou no vídeo, favorecem um apego seguro e a percepção saudável de limites.
“Reações desproporcionais, com humilhação ou ameaças, podem favorecer insegurança relacional, culpa excessiva, vergonha e maior vulnerabilidade ao desenvolvimento de diversos transtornos mentais, principalmente ansiosos e do humor”.
A Organização Das Nações Unidas (ONU) aponta que, em todo o mundo, um em cada sete jovens com idade entre 10 e 19 anos sofre algum transtorno mental, o que representa 15% da carga global de doenças nessa faixa-etária. Depressão, ansiedade e distúrbios comportamentais estão entre as principais causas de doenças e incapacidades em adolescentes.
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O acolhimento imediato oferecido as crianças em situações graves é de extrema importância.
“Recomenda-se a seguinte sequência: garantir segurança física, oferecer contenção emocional, explicar posteriormente a gravidade do ocorrido e estabelecer limites proporcionais. A correção durante o pico de desorganização emocional tende a ser assimilada como ameaça relacional, e não como aprendizado”.
A regulação emocional do adulto antes de corrigir a criança ajuda a aplicar consequências proporcionais e manter o vínculo durante todo o processo educativo.
“A mensagem central deve ser: desaprovação do comportamento sem ruptura do vínculo afetivo. Essa postura favorece a formação de consciência moral baseada em responsabilidade e empatia, e não em medo ou abandono”
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