Por Marina Sequinel e Elizangela Jubanski

(Foto: Venilton Kuchler/AEN)

Filas gigantescas, horas de espera e pacientes fazendo ‘vaquinha’ para comprar papel higiênico. Essa é a realidade da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Araucária, na região metropolitana de Curitiba. Indignados, os moradores da cidade pedem uma solução imediata para o caos na saúde.

Em apenas uma visita, o radialista e jornalista Laércio Monteiro, de 39 anos, percebeu as condições precárias da UPA. “Eu tive que levar a minha esposa, que estava de cama, até a unidade e nós chegamos praticamente em meio ao caos. Muita gente estava reclamando que a fila para a triagem já passava de duas horas, fora a falta de água e de papel higiênico”, contou ele em entrevista à Banda B nesta segunda-feira (29).

Ainda no local, Monteiro falou com o coordenador da UPA e entrou em contato com o secretário de saúde do município, que, segundo ele, “fez várias alegações sem fundamento”. “O coordenador foi bem prestativo, até colocou mais pessoal para fazer a triagem e o problema em parte se resolveu, mas ele mesmo afirmou que não tem recursos suficientes. A situação era a seguinte: 300 pessoas para serem atendidas, por apenas quatro médicos e dois técnicos de enfermagem”, completou o radialista.

A esposa dele precisou ficar no soro e aguardar por horas o resultado de um exame. O casal chegou na UPA no início da tarde e saiu de lá às 20h. “Eu conversei com outros pacientes e o cenário era o mesmo. E isso acontece há alguns meses, eu até vi um vídeo que mostra as pessoas fazendo vaquinha para comprar papel higiênico. Os pacientes estão simplesmente levando esses recursos de casa. A minha impressão é que o prefeito se esqueceu de que a cidade não é formada por cifras, mas sim por pessoas. Araucária tem um dos maiores orçamentos do estado, é um absurdo a gente estar passando por isso”, desabafou.

Essas reclamações também são compartilhadas por uma auxiliar da educação, que chegou na UPA às 14h e, até às 18h, ainda aguardava a conclusão do atendimento. “Eu preciso do encaminhamento do médico para fazer o exame e até agora nada. Teve um senhor que foi para casa buscar marmita para comer aqui, por causa da demora”.

O outro lado

Sobre a situação da UPA de Araucária, a Secretaria Municipal de Saúde enviou a seguinte nota:

Não há registro de falta de médicos, pois a demanda é atendida por meio de plantões e, de acordo com a estimativa da Secretaria Municipal de Saúde, a quantidade de plantonistas é adequada às necessidades da cidade. O que tem sido percebido é que recentemente fecharam dois hospitais na Região Metropolitana (em São José dos Pinhais e Fazenda Rio Grande) e talvez isso tenha impactado na procura pelos serviços de saúde de Araucária. Outro aspecto interessado a ser analisado é que geralmente nessas épocas de frio aumenta a incidência de problemas respiratórios, o que eleva a quantidade de atendimentos. Importante ressaltar que um estudo da Secretaria Municipal de Saúde de Araucária levantou que mais de 85% dos atendimentos realizados nas Unidades de Pronto Atendimento na cidade poderiam ser resolvidos nas unidades básicas de saúde, pois não são de urgência e emergência. Orienta-se que nesses casos a população dê preferência aos postos de saúde, já que nesses locais há um suporte diferenciado, como a dispensação de alguns medicamentos. Sobre a questão dos medicamentos de uso interno na UPA, o estoque está regularizado e não há registro de falta. Com relação à falta de papel higiênico, a SMSA comenta que foi uma situação esporádica e já foi resolvida na mesma data.

Vídeo

Assista abaixo ao vídeo que mostra os usuários da UPA fazendo vaquinha para comprar papel higiênico: