Euclides Scalco: reserva moral. (Foto Annelize Tozetto)

Euclides Scalco: reserva moral. (Foto Annelize Tozetto)

Muito significativo que em momentos de tantas turbulências políticas, esquerda e direita se digladiando sem parar, preste-se homenagem a Euclides Scalco, 86, paradigma brasileiro de homem público, que ocupou um ministério, no Governo de FHC, e foi constituinte de 1988.

A homenagem será às 10 horas desta quinta, 29, quando o Hospital de Clínicas da UFPR, ao inaugurar seu Centro Administrativo, viabilizado com recursos da Associação dos Amigos do Hospital de Clínicas da UFPR. Incluirá momentos para agradecer a Scalco, ex-presidente da entidade e grande impulsionador da instituição.

Foi com recursos da instituição hoje presidida por Pedro de Paula Filho que a obra se viabilizou.

RARIDADE POLÍTICA

Euclides Girolamo Scalco, raridade da vida pública brasileira – autêntica reserva moral – é parte da grande contribuição de gaúchos para o desenvolvimento do Sudoeste do Paraná. Para lá ele se mudou com a família, saindo de Nova Prata, para viver em 1959 em Francisco Beltrão. Juntou-se a milhares de outros gaúchos para consolidar a civilização do Sudoeste, hoje um dos mais significativos polos econômicos do Paraná.

Pedro de Paula Soares: presidente; Luiz Maklouf Carvalho: pesquisador

Pedro de Paula Soares: presidente; Luiz Maklouf Carvalho: pesquisador

NA CONSTITUINTE

Em seu recente livro “1988: Segredos da Constituinte” (Recorde), o jornalista Luiz Maklouf Carvalho esmiúça o mundo de interesses, defensáveis ou não do ponto de vista ético, que dominou a Constituinte.

Do total de 503 páginas da obra histórica, Euclides Scalco é o único constituinte paranaense a ser enfocado. Apresenta um depoimento precioso. Scalco é mostrado como sempre se comportou como parlamentar – em seus três mandatos na Câmara dos Deputados: defendendo causas de real interesse público, sem máculas na vida pública e pessoal.

PARLAMENTARISMO

Dentre os grandes momentos identificadores do constituinte Scalco está seu empenho – sem conseguir bom resultado – que o país passasse a reger-se por sistema parlamentarista. Seu papel na Comissão de Sistematização da Constituinte, a liderança que exerceu de forma desassombrada na bancada do antigo MDB, é outro ponto saliente no retrato do paranaense.

SAÚDE PÚBLICA

Quem conhece a vida e obra de Scalco define-o facilmente como “um defensor da saúde pública”.

Isso mesmo: batalhou muito, com outros parlamentares, para garantir alimentos saudáveis, à população a partir de limites, por exemplo, à presença de agrotóxicos na produção agrícola e evitar excesso prejudicais à saúde humana na composição d produtos de limpeza.

EM MARINGÁ

A Universidade de Maringá, por sua Faculdade de Farmácia, deu o nome de Euclides Scalco ao seu Diretório Estudantil, em reconhecimento à importância do profissional e homem público.

COM BELMIRO

Scalco tem seu nome ligado a grandes e únicos momentos da vida paranaense, como – por exemplo – a posição que assumiu em defesa de Belmiro Castor, no grande embate que o então secretário de Planejamento de José Richa manteve com o então secretário de Fazenda do Estado, Erasmo Garanhão.

Belmiro acusava Garanhão de recebimento de benefícios ilícitos na vida pública.

Nos dias em que comandou a Itaipu Binacional, Scalco marcou a administração da empresa por rigoroso controle de gastos e modernização administrativa.

Hoje ele concentra parte de seu tempo livre em interesses do Instituto Ciência e Fé de Curitiba, além da Associação do Amigos do HC.

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Constituinte, pra lembrar

Um senador furioso pegando o colega deputado pelo pescoço no gabinete para garantir voto, um general enquadrando o deputado-relator sobre a redação de um artigo, tucanos ciumentos disputando espaço dentro e fora do partido, além de petistas do contra pregando boicote geral enquanto lobistas escreviam artigos inteiros em defesa de interesses próprios na Carta Magna brasileira. São alguns dos bastidores da Constituição Federal, que completa 30 anos, contados pelo olhar revelador do jornalista Luiz Maklouf Carvalho no livro 1988: Segredos da Constituinte, editado pela Record.

ANO E MEIO

“É o resultado de cerca de um ano e meio, pelo menos, de pesquisa e apuração”, diz Maklouf. Manejando a pinça do perguntador cuidadoso e preparado, ferramenta que conhece bem de seu ofício de repórter, ele extrai relatos reveladores de manobras e acordos políticos, transcreve-os na forma de perguntas e respostas e vai chuleando as 503 páginas da obra com agulha e linha das verdades contidas em farta documentação e depoimentos sobre um ambiente tenso e decisivo para o País – fatos e posições que, a esta altura da história, já não sofrem a abrasão das paixões à flor da pele. (O Estadão)

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