O alcaide Rafael Waldomiro Greca de Macedo tomou uma decisão sem consultar a população: vai substituir 12 estações-tubo tradicionais – as criadas pelo arquiteto Abrão Assad e instaladas na cidade desde 1991 -, por unidades retangulares por ora nas pranchas do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba – Ippuc.
O que o Ippuc projeta para instalar na linha Inter 2
O custo da mudança soma R$ 507 milhões. Financiamento que, segundo o alcaide, deverá ser buscado junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento – o BID. O objetivo, segundo ele, é revitalizar a linha Inter 2 e melhorar a mobilidade.
MUITAS DÚVIDAS
Ainda não há data para a transformação do mobiliário urbano, segundo o Ippuc, pois o projeto precisa ser viabilizado. A prefeitura tenta um financiamento de R$ 507 milhões junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para revitalizar toda a linha do Inter 2 e melhorar a mobilidade da cidade.
QUE “PRIORIDADE”?
Os novos tubos são prioridade? Ou teria o alcaide que explicar o porquê do silêncio em torno das obras da trincheira na Avenida Mário Tourinho, perto da Fonte de Jerusalém, onde até os tapumes foram retirados sem maior explicação e com ausência total de máquinas e pessoal? O que se alega, em meio ao caos reinante no tráfego da área, é que a empresa vencedora desistiu de fazer a obra. Motivo: não consegue trabalhar com a Prefeitura de Waldomiro. Ou, melhor, no Consulado de Rafael Waldomiro.
NÃO SE RASGA RETRATO
A nova proposta de Abrão Assad (que nada têm a ver com as de Waldomiro) para as clássicas estações-tubo mostra o compartimento exclusivo para o cobrador, protegido das intempéries. Abrão sabe das coisas, foi ele quem criou os tubos.
Arguido sobre a mudança, Abrão Assad tem dito que a valorização do passado é fundamental para a memória urbana. Não se opõe a mudanças estruturais e físicas. Mas deixa no ar a pergunta: tem o alcaide o mínimo de respeito por quem o colocou no cenário político-administrativo urbano nos anos 1990, Jaime Lerner?
AO PÉ DA LETRA
A propósito, transcrevo o que Abrão Assad disse neste último final de semana ao blog “Diário do Transporte” acerca das transformações das estações-tubo preconizadas pelo atual prefeito: A declaração pode ser lida também no site: https://saopaulosao.com.br/4414-estac%C3%B5es-tubo-de-curitiba-ser%C3%A3osubstitu%C3%ADdas-por-novas.

A tradicionalíssima estrutura da estação-tubo ganhou o mundo graças ao projeto revolucionário, ainda nos anos 1990, dos arquitetos Abrão Assad e Carlos Eduardo Ceneviva, com a bênção de Jaime Lerner.
Assad lembra, em declarações ao blog citado: “Como o Jaime Lerner costuma dizer: não se rasga uma fotografia de família. E ao se desfazer das estações-tubo, um símbolo da cidade, ele (Waldomiro) terá que prestar contas à sociedade e à história”, sentencia.
“As estações fazem parte da paisagem da cidade e esse novo conceito vai criar uma ruptura na linguagem,” lembra Assad.
HISTÓRIA PARA LEMBRAR
As estações-tubo que são um ícone curitibano, foram criadas, no início dos anos 1990 pelos arquitetos Abrão Assad e Carlos Eduardo Ceneviva. No correr do tempo precisaram ser adaptadas com o fim de evitar invasões de quem não paga a tarifa. O equipamento é o mesmo há quase 30 anos. O que mudou é a educação do usuário, o que não justifica, por si e só, a criação de uma nova estação-tubo.
Abrão recorda ainda que em 2017 foi contratado pela Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), com verba do Banco Mundial, para requalificar as estações-tubo “Passados dois anos, até hoje não recebi uma resposta do Ippuc ou da Urbs sobre o projeto”, conta.
MEMÓRIA URBANA
A propósito das estações-tubo: no sábado, dia 13 de abril, em 1991, Jaime Lerner inaugurou a primeira linha de uma nova alternativa de transporte urbano em Curitiba: o Ligeirinho Boqueirão/Centro Cívico – o pioneiro no uso das estações-tubo projetadas por Abrão Assad, e que opera até os dias de hoje.
JUSTIFICATIVA VÁLIDA?
Fonte do Ippuc garante que as imagens divulgadas são de um anteprojeto, para tentar viabilizar o financiamento junto às agências de fomento internacionais.
Até o momento, a ideia é que as novas estações sejam totalmente fechadas, climatizadas e energicamente autônomas por meio de placas fotovoltaicas.
E A TRINCHEIRA DA TOURINHO?
Mobilidade urbana à parte, mesmo que essencial para uma Curitiba melhor, resta a pergunta: um investimento desse vulto se antecipa a uma trincheira que virou pó e requer urgência para um trânsito mais seguro?
Aguardamos respostas do alcaide.
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