Foto: EBC

 

 

 

O ex-ministro Antonio Palocci (Fazenda e Casa Civil/Governos Lula e Dilma) desferiu o mais pesado ataque de um companheiro do PT ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Após o depoimento devastador perante o juiz federal Sérgio Moro, em 6 de setembro, em que incriminou o velho aliado dos primórdios da agremiação, Palocci escreveu nesta terça-feira, 26, uma carta histórica à direção do partido. Hoje, 26, faz um ano que Palocci foi preso na Operação Lava Jato.

Por suas acusações a Lula, o ex-ministro foi suspenso do PT pelo prazo de 60 dias, em decisão do Diretório Nacional do partido, e submetido a um processo disciplinar da legenda em Ribeirão Preto Palocci foi ao ataque, com a carta de quatro páginas e assinatura de próprio punho.

O documento é endereçado à presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann.

Palocci desafia Lula. “Até quando vamos fingir acreditar na autoproclamação do homem mais honesto do país enquanto os presentes, os sítios, os apartamentos e até o prédio do Instituto (!!) são atribuídos a Dona Marisa?”, reagiu.

Palocci escreveu que “sabia o quanto seria difícil passar por tantos desafios políticos sem qualquer desvio ético”.

“Sei dos erros e ilegalidades que cometi e assumo minhas responsabilidades”, admite. “Mas não posso deixar de destacar o choque de ter visto Lula sucumbir ao pior da política no melhor dos momentos de seu governo.”

No interrogatório a Moro, Palocci disse que Lula fechou um “pacto de sangue” com a Odebrecht – em troca da superpropina de R$ 300 milhões para o partido e para ele próprio, o então presidente teria propiciado facilidades para a empreiteira nos governos petistas.

Na carta, o ex-ministro disse. “Com o pleno emprego conquistado, com a aprovação do governo a níveis recordes, com o advento da riqueza (e da maldição) do pré-sal, com a Copa do Mundo, com as Olimpíadas, ‘o cara’ nas palavras de Barack Obama, dissociou-se definitivamente do menino retirante para navegar no terreno pantanoso do sucesso sem critica, do “tudo pode”, do poder sem limites, onde a corrupção, os desvios, as disfunções que se acumulam são apenas detalhes, notas de rodapé no cenário entorpecido dos petrodólares que pagarão a tudo e a todos.”

Palocci afirma ter presenciado “o desmonte moral da mais expressiva liderança popular que o país construiu em toda nossa história”.

Na carta, Palocci afirma que recebeu “as notícias de abertura de procedimento ético em razão das declarações no interrogatório judicial ocorrido no último dia 6 de setembro de 2017”. O ex-ministro enumerou sete respostas ao PT.

Em uma delas, afirmou estar “disposto a enfrentar qualquer procedimento de natureza ética no partido sobre as ilegalidades” que cometeu durante os governos do partido.

“Ressalto que minha principal motivação nesse momento é que toda a verdade seja dita, sobre todos os personagens envolvidos. Sob o ponto de vista político, estou bastante tranquilo em relação a minha decisão. Falar a verdade é sempre o melhor caminho. E, neste caso, não posso deixar de registrar a evolução e o acúmulo de eventos de corrupção em nossos governos e, principalmente, a partir do segundo governo Lula.”

Nota Lula

 

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quarta-feira, 26, por meio de nota, que a carta enviada pelo ex-ministro Antônio Palocci à direção do PT é uma tentativa de “destravar sua delação para receber benefícios”. Palocci pediu desfiliação do PT questionando se a legenda é um “partido político sob a liderança de pessoas de carne e osso” ou se é “uma seita guiada por uma pretensa divindade”. “Ofereço a minha desfiliação, e o faço sem qualquer ressentimento ou rancores. Meu desligamento do partido fica então à vossa disposição.”

“Cena mais chocante que presenciei do desmonte moral da mais expressiva liderança popular que o país construiu em toda nossa história”, afirmou Palocci.

Em reação à carta, o ex-presidente afirma que os “ataques indevidos” de Palocci “devem ser interpretados como mais passo que ele dá com o objetivo de tentar destravar sua delação para receber benefícios – que vão desde a sua saída da prisão até o desbloqueio de seus bens”.

“O depoimento prestado por Palocci no dia 06/09 é repleto de contradições com depoimento por ele prestado em maio deste ano e, ainda, com depoimentos prestados por outras testemunhas. O documento emitido hoje segue na mesma direção”, ressalta.

Preso desde setembro de 2016, o ex-ministro, interrogado em 6 de setembro pelo juiz federal Sérgio Moro, rompeu o silêncio e incriminou o ex-presidente Lula, seu antigo parceiro de agremiação. Palocci acusou o ex-presidente de ter fechado um “pacto de sangue” com a Odebrecht, em troca de uma super propina de R$ 300 milhões para seu partido e para ele próprio. Lula nega

Na sexta-feira, 22, o PT decidiu suspender Palocci por 60 dias das atividades partidárias.

“Ao mentir, sem apresentar provas e seguindo um roteiro pré-estabelecido em seu depoimento na 13a. Vara da Justiça Federal, em Curitiba, no último dia 6 de setembro, Palocci colocou-se deliberadamente a serviço da perseguição político-eleitoral que é movida contra a liderança popular de Lula e o PT. Desta forma, rompeu seu vínculo com o partido e descomprometeu-se com a sua militância”, disse a resolução.