O deputado estadual Ricardo Arruda (PL) é alvo de uma nova ação de improbidade administrativa, movida pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR), que exige a devolução de R$ 1.045.170,80 aos cofres públicos. Segundo a promotoria, o valor seria fruto de um esquema sofisticado de “rachadinha”, com direito a cartões de crédito de assessores usados para bancar viagens internacionais de luxo, hotéis caros, blindagem de carro e até Airbnb em Nova York.

De acordo com as informações do Blog Politicamente, o modelo criado por Arruda foi além do esquema “tradicional” de servidores devolvendo parte dos salários. O parlamentar teria se apropriado de cartões de crédito adicionais de funcionários comissionados da Assembleia Legislativa, inclusive na época em que chefiava a Corregedoria.
Os salários desses servidores eram utilizados para pagar as faturas, que em alguns meses ultrapassavam R$ 80 mil. A promotora Maria Natalina Nogueira de Magalhães Santarosa detalha que até as despesas da esposa do deputado, Patrícia Miranda Arruda Nunes, eram cobertas com o dinheiro.
Entre os gastos investigados estão compras em Berlim, Frankfurt, Praga, Viena, Veneza, Milão, Pisa, Florença e Roma, além de passagens aéreas e aquisição de dólares e euros para uso em viagens internacionais.
O MP também aponta pagamentos de despesas pessoais escancarados: desde uma geladeira entregue na casa do deputado até a amortização de um financiamento habitacional e blindagem de um automóvel.
A denúncia teve como base a delação premiada do ex-chefe de gabinete de Arruda, homologada pela Justiça, além de relatórios de inteligência que identificaram operações financeiras suspeitas ligadas a lavagem de dinheiro e crimes contra a administração pública.
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Justiça nega bloqueio de bens, mas processo avança
A ação foi ajuizada em 11 de setembro como desdobramento de uma denúncia criminal apresentada em abril de 2024. O MP pediu o bloqueio dos bens de Arruda, mas a Justiça indeferiu o pedido.
Ainda assim, o processo de improbidade já tramita e, se condenado, o deputado poderá perder o mandato, ser obrigado a devolver os valores com multa e ainda ficar até 14 anos sem direitos políticos.
Escândalos em série
Esta ação se soma a outras duas denúncias criminais já oferecidas contra Arruda. Em uma, ele responde por associação criminosa, desvio de dinheiro público e tráfico de influência; na outra, por lavagem de dinheiro e desvio de recursos, que ainda aguarda análise do Tribunal de Justiça do Paraná.
Deputado rebate
Em nota, a defesa do deputado Ricardo Arruda informou que o parlamentar ainda não foi citado oficialmente acerca da Ação Civil Pública por Ato de Improbidade Administrativa mencionada em alguns veículos de comunicação.
“Assim, qualquer manifestação prévia sobre o mérito da demanda seria precipitada. O Deputado Ricardo Arruda reafirma seu compromisso com a transparência, com a legalidade e, sobretudo, com os seus eleitores, que sempre pautaram sua atuação pública.
O parlamentar esclarece que irá se pronunciar de forma técnica e responsável tão logo tenha acesso integral aos autos e possa exercer plenamente o seu direito de defesa”.