O Brasil não deve ser apenas causa de desespero dos homens e mulheres que o vão construindo com duro e honesto labor, e que não aceitam o caos implantado como regra na Nação.
Há um Brasil que ousa afirmar-se e crescer dentro da lei e da ética. É composto de seres humanos tangidos por um ‘fiat lux’especial, ou simplesmente pela necessidade de cumprir o básico mandamento de construir vidas e sociedade melhores.
Dizendo isso, digo que, à parte das quadrilhas criminosas que tomaram de assalto parte da administração público – quase como regra -, há realidades positivas que esquecemos de avaliar em meio ao desassossego mais ou menos geral. A mais impressionante dessas realidades é a mobilidade social possível existente no país, ainda a sexta economia do mundo.
NAS ONDAS DO RÁDIO
Aqui, bem ao contrário de sociedades multisseculares – como vemos na Europa -, marcadas por herança familiar e títulos nobiliárquicos -, não se veda a ascensão social do indivíduo. Nascer numa linhagem pode ajudar. Mas os caminhos para o empreendedorismo não se subordinam ao berço, às árvores genealógicas.
Admitem-se sonhadores e, sobretudo, espíritos ousados.
Curiosamente me vejo a fazer essas reflexões quando começo a ouvir as ondas da Rádio Banda B, FM e AM, 107-1, uma das mais eloquentes provas de que o sonho de “fazer o Brasil” é realidade bem viva, gerando resultados; está à mão de seres que queiram e possam apostar em seus projetos pessoais.
MENINO DE BIRIGUI
Tal como fez o menino de Birigui, o nosso Luiz Carlos Martins. Ele foi garoto entregador de marmitas das refeições preparadas por sua mãe a uma vasta clientela da cidadezinha. E que, antes de trabalhar com sua voz e sensibilidade de timbres únicos, foi garçom e também como operário em fábrica de calçados.
Nunca fugiu da liça. Pelo contrário, ampliou-a buscando educação, fazendo faculdade e depois consolidou-se em exemplar história no rádio, e, mais tarde, como homem público – vereador e em seguida com sete mandatos de deputado estadual.
SALVE ESTA DATA
Enquanto vou escutando o som da FM 107-1, que oficialmente estreará no dia 12 próximo, visito um passado de lutas sem limites que o dono de uma de uma das maiores audiências radiofônicos de Curitiba e Paraná construiu. Ao lado da sua inspiração maior, a esposa, Maria.
Luiz, com a objetividade dos que têm créditos enormes com o Senhor e com a comunidade a que serve todos os dias, tem repetido, como quem faz uma avaliação de vida: “Fui abençoado com muitos talentos, mas o rádio é mesmo minha vida e meu desafio. Nele cada vez aposto mais tempo e talento…”
COPA DO MUNDO: PELÉ X MARADONA, UMA COMPARAÇÃO DESCABIDA
A menos de dez dias da abertura da Copa do Mundo na Rússia, é comum canais que pouco falam do futebol, abrirem sua grade para especiais sobre o mundial. Nada mal. O History Channel fez isso. Reprisou (ou repisou) um debate confrontando talentos como Messi x Cristiano Ronaldo, Van Basten x Klinsmann e, ora ora, Pelé x Maradona. Entre os que se dispuseram a opinar no programa, que foi produzido pela TV britânica, estava Garry Lineker, jogador da seleção inglesa, em 1986, e Gianfranco Zola, meia da equipe italiana em mundiais anteriores.
NÃO ERA MEIA
Nada mais desconfortável para o brasileiro do que ouvir de um ex-jogador de futebol que Pelé era um atacante, não um meia-armador, que Pelé não jogava para o time, era individualista, e que Pelé não era o líder no time, principalmente na Copa de 70, porque não carregava a braçadeira de capitão. Ela foi dada a Carlos Alberto, o lateral-direito.
3 A 1 DE CAMAROTE
Pelé disputou quatro copas, ganhou três. Maradona disputou duas, perdeu uma. Na Espanha, enfrentando o Brasil, em 1982, já era “Dom Diego”, mas foi anulado pela marcação e só coube a ele assistir o 3 a 1 de camarote, permanentemente anulado por Toninho Cerezo e, talvez, Batista.
A IMAGEM É O QUE VALE
Lineker, a certa altura, diz que Pelé não construía a jogada e a imagem, na sequência, o contradiz. Mostra Pelé recebendo o passe na entrada da área e tocando, na medida, para Carlos Alberto disparar um canhão no quarto gol do Brasil contra Itália, que selaria o placar. Em outro, ele faz um passe de 30 metros para Jairzinho, entre os zagueiros, amortecer no peito, deixar a bola escorregar carinhosamente para o pé direito e chutar para o gol.
O QUE FICOU, BASTA
Zola e Lineker, este principalmente, argumentam que não há muitas imagens de gols de Pelé se comparadas com as que estão à disposição dos fãs de futebol, no caso de Maradona, e seus mais de 300 gols marcados na carreira. Pelé fez 1.200. É fato. As épocas eram diferentes, a TV não era tão avançada tecnologicamente e muitos gols de Pelé, gravados em película, foram perdidos. Mas o que ficou, basta.
GOLEADOR E GARÇOM
Pelé não era tão veloz, não driblava com a bola junto ao pé, em curta distância, mas compensava tudo isso, se é que devia compensar, com a vantagem atlética, a habilidade em chutar e passar com ambos os pés, o cabeceio e a inteligência de goleador que era também um assistente de primeira, um garçom quando necessário. Não é uma questão de época. A distância entre a Copa de 70, a última de Pelé, e a de 86, a primeira e única de Maradona, é de 16 anos, três copas entre a Copa do México e, de novo, a Copa do México, quando Dieguito se consagrou. E quais os gols pelos quais ele é lembrado e elevado ao grau de lenda do futebol? Pelos dois contra a Inglaterra: o primeiro aquele em que usa “La Mano de Dios” para fazer um gol de “cabeça”. O segundo por driblar todo o time em velocidade e marcar na saída do goleiro. Um golaço de fato, em que foi mais “circense” do que um jogador de time.
REI NÃO CARECE DE ACESSÓRIO
Não se quer dizer aqui, jamais, que Maradona não merece o panteão de fora de série do futebol. Seria um ufanismo bocó. O que se argumenta, com razão, é que a comparação é injusta. Por que Pelé não usou a braçadeira de capitão? Ora, Rei não carece de acessório.
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