A Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Paraná (Faciap) realizou um estudo que aponta os principais impactos de eventuais reformas na jornada de trabalho no Brasil. A conclusão indica que o fim da jornada 6×1 deve gerar efeitos maiores sobre o comércio e as micro e pequenas empresas do que sobre a indústria de médio e grande porte.

A análise mostra que o mercado de trabalho paranaense opera, na prática, em duas estruturas distintas: de um lado, a indústria, com maior presença de empresas médias e grandes e predominância do regime tributário geral; de outro, o comércio, fortemente apoiado em micro e pequenas empresas enquadradas no Simples Nacional. Cada uma dessas estruturas apresenta capacidades distintas de adaptação a mudanças na organização da jornada.
“Discutir jornada como se todo o mercado fosse homogêneo ignora que o porte da empresa e o regime tributário condicionam diretamente o custo e a viabilidade de reorganização das escalas”, aponta o levantamento.
Fim da Jornada 6×1 terá impactos desiguais
O estudo mostra que o varejo é o principal motor de geração de empregos formais no Estado, concentrando parcela expressiva das contratações. Esse perfil envolve maior rotatividade e forte dependência de cobertura de horários e picos de demandam características que aumentam a sensibilidade operacional a mudanças na jornada.
“São justamente as atividades que mais contratam que tendem a sentir primeiro e com maior intensidade os efeitos de uma eventual reforma”
destaca o documento.
Outro ponto central é a relação entre porte empresarial e custo de coordenação da jornada. Enquanto empresas maiores dispõem de maior redundância de pessoal, automação e estrutura de turnos, micro e pequenas operam com quadros enxutos e gestão direta do proprietário, o que eleva o custo de planejamento, reposição e cobertura de folgas.
Na prática, isso significa que modelos como 4×3 exigiriam redesenho operacional mais profundo no comércio do que na indústria.
A Faciap alerta que mudanças uniformes, sem considerar estas diferenças podem gerar efeitos assimétricos no mercado de trabalho paranaense. A entidade defende que o debate sobre jornada incorpore a realidade das micro e pequenas empresas, que formam a base do emprego formal no comércio e lideram a dinâmica de contratações no Estado.