No entanto, quanto mais o tempo passava, maior era o risco de novas inundações (Foto: Thai Navy Seal / AP)
Perguntei ao notório especialista em Budismo, que também é editor de jornais e revistas, artista gráfico, designer gráfico e poeta Jubal Sérgio Dohms sobre em que medida a meditação budista teria ajudado a tirar os meninos da equipe de futebol e seu treinador da caverna em que ficaram prisioneiros por 18 dias.
A reposta desse mestre curitibano, conferencista em sua especialidade, dono de profunda espiritualidade, segue, em detalhes. Revela a importância do apaziguamento da mente e do corpo para a situação trágica como vivida pelos garotos tailandeses. Mas que, diz, serve para qualquer ser humano, em qualquer situação. Eis as palavras de Jubal:
ORDENAÇÃOMONÁSTICA
“Ekapol Aek Chantawong, o treinador dos “Javalis Selvagens”, de 25 anos, foi ordenado monge budista quando era mais jovem, o que é comum na Tailândia.
Cerca de 95% da população pratica o budismo Theravada, uma das grandes linhagens, e que é praticada predominantemente na Tailândia, Sri Lanka, Myanmar (Birmânia), Laos e Camboja e com expressiva presença em países como o Vietnam, Malásia, Estados Unidos e Inglaterra. No Brasil, Ricardo Sazaki, do Centro Nalanda, é um dos mestres Theravada.
COM OITO ANOS
Na Tailândia, é costume que garotos com idade próxima dos 8 anos vivam em um mosteiro por um ano – ou mais – recebendo ensinamentos. Depois retornam para suas casas ou decidem aprimorar-se, alguns tornando-se monges.
Ekapol, segundo seus colegas de monastério, é assíduo nas práticas de meditação. E pode ter sido a meditação um dos fatores para a sobrevivência. Ela proporciona calma e equilíbrio, leva a uma respiração mais lenta, a menos batimentos cardíacos (menor consumo de oxigênio, até mesmo pela postura) e diminui a atividade cerebral e a ansiedade.
A temperatura era de cerca 26 graus, se estivesse mais frio, ele poderia ter recomendado uma meditação que faz o corpo produzir mais calor.
UM CRISTÃO
Dos 12, apenas um era de família não budista (cristã). É provável que eles já tivessem assimilado o ensinamento da atenção plena (hoje mais conhecida como Mindfullnes). O termo designa um estado mental que se caracteriza pela autorregulação da atenção para a experiência presente, reduzindo o estresse. Não focar o futuro (ansiedade) nem o passado (revivências), mas atuar no aqui e agora.
CALMA VITAL
Interessante notar que as famílias tiveram muita calma e esperança em um resgate bem-sucedido. O que poderia não acontecer em outras culturas.
Também foi unanimidade a aceitação do ocorrido e a não condenação do monitor pela decisão de visitar as cavernas no período chuvoso, que precede as monções.
ORIENTAÇÕES SALVARAM
Na carta que entregaram ao monitor, os pais afirmam que não estão zangados com Ekapol e lhe pedem que não se culpe pelo ocorrido. Todos eles, entendem o que aconteceu e o apoiam e agradecem por cuidar dos meninos. O ex-monge ensinou-lhes como beber a água que se filtrava das estalactites, e não a suja da corrente, racionou as guloseimas que levavam e lhes ordenou que dormissem e descansassem o máximo possível para economizar energia, além de abrir mão da própria ração de alimento.”
OBSERVAÇÃO
Jubal S Dohms, praticante do budismo Junshin, estudioso da arte e da cultura oriental. É design gráfico, poeta e artista plástico, bacharel em Língua Inglesa, membro da diretoria do Instituto Ciência e Fé de Curitiba.
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