Carlos Alberto Pessoa: fazendo falta

Carlos Alberto Pessoa: fazendo falta

Nêgo Pessoa certamente daria um beiço para esta Copa do Mundo, mas não por desprezar o futebol e sim por amá-lo apaixonadamente, na ordem de devoção ao seu Fluminense e ao seu Coritiba. No trato com suas colunas, entretanto, há que se considerar um adendo: ele escrevia para bípedes.

Jamais para quadrúpedes. Certa feita deixou isso claro em resposta a uma leitora que o criticava por ter baixado o sarrafo no time paranaense – quando este ainda, armas e barões assinalados, frequentava a primeira divisão do futebol. Escrevia sim para aqueles que tinham os pés fincados no chão. Não os pés e as mãos.

FÁCIL PARA O INIMIGO, DIFÍCIL PARA O AMIGO

De Neymar, ele diria pouco, mas grosso. Grosseiro. Não pediria que ele fosse um meia armador, não pediria que ele fosse um atacante, não pediria que ele se dignasse a cobrir a subida do zagueiro adversário nos escanteios, como faz, aliás, Cristiano Ronaldo (cinco vezes melhor do mundo). O que pediria é a obviedade ululante: que não se deixasse caçar segurando a bola tempo demais. Daí fica fácil para o inimigo e difícil para os amigos.

ORA, DURA MARCAÇÃO

Tostão diz, com propriedade na Folha de S. Paulo, que Messi e Neymar nos jogos contra Islândia e Suíça, respectivamente, tiveram dura marcação.

Não há porque não imaginar que Cristiano Ronaldo a essa altura (dois jogos e quatro gols) não padeça do mesmo cerco. Ele é, de longe, o melhor do time e seu principal goleador. E ainda assim, toca a bola. E ainda assim, ajuda a defesa (vide partida contra Marrocos). E ainda assim, escapa do adversário em uma jogada de escanteio para marcar o gol da vitória de Portugal. Um só. O suficiente.

QUEM É O CRAQUE?

Nêgo Pessoa jamais admitiria a argumentação de que Neymar, marcado por três, quatro, cinco, um batalhão, não escaparia dos adversários. Ora, quem é o craque? O defeito, como se apontou aqui, e Nêgo assinaria embaixo, é o de que ele se deixou anular quando poderia tocar a bola rápido e, na velocidade que Deus lhe deu, ludibriar o oponente. Se não soube fazer o trivial para um craque de sua magnitude, e isso já se disse mais de uma vez, torna-se compreensível seu sumiço na Liga dos Campeões, quando foi chocho jogando pelo Paris Saint Germain e está explicado porque nunca foi e talvez nunca será (toc toc toc) o melhor do mundo da Fifa.

96-Box-Segure o mundo

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