Maurício Fanini: ex-amigo faz denúncias; Deonilson Roldo: ex-todo-poderoso do Governo; Ezequias Moreira: um tosco no Cerimonial
A notícia de maior carga explosiva das últimas horas é esta:
O ex-governador Beto Richa anda às voltas com o sr. Maurício Fanini, ex-diretor da Secretaria Estadual de Educação, que foi uma espécie de faz-tudo do governador de longa data até o dia em que foi apanhado na Operação Quadro Negro.
FREIOS INSTITUCIONAIS E POLÍTICOS
Quando retomou a vida sem foro privilegiado, em 7 de abril deste ano, para concorrer ao Senado, Richa havia conseguido um feito notável: usou freios e foram detidos denúncias e o andamento do processo no Ministério Público do Paraná.
No apagar das luzes, o procurador-geral de Justiça, Ivonei Sfoggia, talvez sequioso pela continuidade no cargo, afastou um promotor do caso e o mandou para as calendas gregas antes que apresentasse denúncia contra todo o universo governamental envolvido na Quadro Negro.
O MARAJÁ DO MP
Sfoggia tem muito a agradecer. Em passado recente, promoveu dois concursos públicos para promotor substituto, em meio a práticas nada seguras de sigilo e idoneidade dos exames. Fiscais presentes no concurso, a maioria ligados ao corpo de funcionários do MP, utilizaram celular durante a realização das provas e até criaram um grupo no Whatsapp com nome nada discreto: “Concurso”. Qualquer manual administrativo-público censura esse tipo de prática porque dá margem aquilo que no mundo dos simples mortais chamamos de “fraude”.
Sfoggia gosta de dizer que pertence a outra casta: a dos marajás. Os demais são os “intocáveis”.
DE TODOS OS LADOS
Na terça, 5, Beto Richa publicou um vídeo nas redes sociais defendendo-se daquilo que vazou na delação premiada de Fanini.
Infelizmente, não trouxe novidades. Repetiu que tudo não passaria de “calúnias e acusações sem qualquer indício de provas”, além de evidenciar o “desespero de quem quer terceirizar a culpa”.
A BOLA CRESCE
A perda do foro privilegiado num momento em que esse privilégio ganha em importância no cenário político nacional é só a ponta do iceberg (com perdão do clichê). Richa que trate de preparar a fleuma britânica. O fogo tem tudo para vir cruzado e ele certamente precisará de algum jogo de cintura para não sair chamuscado.
SALDO DA TEMPORADA
Alguns dos mais próximos secretários de Beto Richa pouparam, possivelmente, a governadora Cida de fazer o que teve de executar quando demitiu o ex-jornalista Deonilson Roldo, ex-poderoso do Palácio Iguaçu, ex-ocupante de duas secretarias de Estado.
Deonilson foi defenestrado de uma diretoria da COPEL a qual chegara a pedido de Beto. A causa: o ex-poderoso entrou na Lava Jato, com supostos malfeitos do rolo da Odebrecht.
Outro notável do grupo Richa que deixou o primeiro escalão do Governo é o secretário do Cerimonial do Governo Beto, Ezequias Moreira.
Ezequias, homem simples, pode-se até classificá-lo de tosco e simplório (o que não é exatamente desdouro), ocupava a Secretaria Especial de Cerimonial, uma posição de alta representação social.
Acredita-se que a posição mais servia para dar foro privilegiado ao homem que tem larga tradição de servir à família Richa, desde o governador José Richa. Mas está enrascado em processo judicial.
O também ex-poderoso Juraci Barbosa, que até dias atrás era secretário de Estado do Planejamento, é outro ‘protegé’ de Beto que deixou o cargo. Dizem que um filho dele está há meses no primeiro escalão da campanha de Ratinho Junior.
A ex-primeira dama Fernanda Richa, secretária de Desenvolvimento Social, e Fernando Ghignone, secretário de Administração, permanecem nas posições. Não deverão ser convidados a deixar as posições, garantem fontes palacianas.
NOVO OLHAR SOBRE A ÚLTIMA EXPOSIÇÃO DE ZIMMERMANN
A última mostra individual de Carlos Eduardo Zimmermann, que morreu no domingo último, foi realizada na Galeria Zilda Fraletti, em 2014.
Zilda é a marchande que representa o artista, sendo ele um dos nomes mais significativos das artes plásticas do Paraná. Junto com Bia Wouk, Osmar Chromieck e Romnes Dunke, dentre outros, Carlos Eduardo Zimmermann é muito representativo da chamada “Geração Anos 1970”.
Sepultado na tarde de terça, 5, no Cemitério Evangélico Luterano em Curitiba, o artista foi velado por muitos amigos. Alguns vindos de São Paulo e Rio para o sepultamento.
TRIBUTO
Nessa linha de tributo ao artista, o site da Revista Topview, neste próximo sábado, estará apresentando um amplo perfil do artista, sua vida, obra, sua personalidade, em trabalho do jornalista Rafael Costa.
Ontem a Galeria Fraletti encaminhou, a meu pedido, fotos da última exposição individual de Zimmermann, realizada em 2014, naquele espaço.
As fotos são de Gerson Lima.
MEU TEXTO
A mostra celebrou os 30 anos da galeria de arte. Na ocasião, Zimmermann publicou, a guisa de crítica a sua obra, o texto que eu escrevei sobre ele, na revista IDEIAS, em 2005. Na verdade, Zimmermann foi grato pelo texto, tendo insistido para que eu autorizasse ser republicado na mostra individual.
Essa crítica foi parte, em 2008, de um grande perfil com que apresentei Carlos Eduardo no meu livro VOZES DO PARANÁ, volume 1.
A ÚLTIMA EXPOSIÇÃO (2)
Texto do catálogo da última mostra:
Zimmermann: Criador de Atmosferas (*)
Carlos Eduardo Zimmermann tem sido, desde a primeira exposição em 1972, um comunicador de redescobertas, trabalhadas em telas e acrílica, preferencialmente, sob o comando de irreprimível impulso de registrar.
Não tem preferência por técnicas, expressa-se também em esculturas, desenhos, colagens, gravuras. Faz arte abstrata e figurativa, não há contradições, há interações.
Uma arte de imponente técnica, de domínio pleno de espaços vazios.
Eloquentes e infinitos espaços nus, dóceis à modelagem que Zimmermann pode imprimir-lhes.
Foi Cézanne quem cunhou a expressão “ser artista não é uma profissão mas um destino“. Zimmermann talvez acredite que não precisa explicar sua arte. Prefere convidar o interlocutor a partilhar daquele mundo esboçado ou insinuado que revela hoje um Zimmermann mais holístico, aberto a realidades que podem ir das preocupações com a física quântica às cogitações metafísicas.
Carlos Eduardo Zimmermann só entende espaços e visões compartilhados. É uma escola de solidariedade que ele acredita ser a melhor saída para um mundo que ainda não entende “que é o amor, e não a vida, o contrário da morte“. E que “é o medo, e não a morte, o contrário da vida“.
Em seu estúdio, o artista fica a captar o jogo de claros e escuros, de uma tarde cheia de nuvens. Uma tarde de Curitiba, cidade com a qual mantém uma relação de respeito, paixão e, muitas vezes, de perplexidade.
Uma perplexidade que pode ter seus fundamentos numa herança cultural de que ele mesmo é legatário. O que pode até explicar o fascínio pelo hiper-real, pontilhando uma técnica perfeccionista que, no fundo, é solidamente curitibana.
Aroldo Murá G. Haygert, jornalista
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