STF condena Governo de SP a indenizar em R$ 440 mil trabalhador rural preso injustamente por sete anos

José Aparecido tinha sido condenado a 21 anos de prisão por latrocínio e destruição de cadáver


O Supremo Tribunal Federal (STF) condenou o Governo de São Paulo a indenizar o trabalhador rural José Aparecido Alves Filho, que passou sete anos preso por um crime que não cometeu.

A decisão foi unânime na Primeira Turma e confirma o entendimento do ministro Cristiano Zanin. O Estado foi condenado a pagar R$ 440,6 mil por danos morais e materiais.

José Aparecido tinha sido condenado a 21 anos de prisão por latrocínio e destruição de cadáver. O problema é que a condenação se baseou praticamente só na delação de outro réu, que depois voltou atrás e disse que foi pressionado a incriminá-lo.

O trabalhador rural José Aparecido Alves Filho foi condenado a 21 anos de prisão por latrocínio e destruição de cadáver. Foto: Antonio Augusto/STF

Para o STF, o processo teve falhas graves. Faltou garantir o direito de defesa e o contraditório desde o início. Em 2021, a própria Corte já tinha anulado a condenação.

Na decisão, Zanin foi direto: se o processo tivesse seguido as regras corretamente, a prisão não teria acontecido.

“A anulação de um processo pelo Supremo Tribunal Federal, por vício insanável que comprometeu o contraditório, representa mais do que mera reforma de decisão: implica o reconhecimento de que o rito processual que levou à prisão foi fundamentalmente falho e incompatível com o ordenamento constitucional”, afirmou Zanin na decisão.

Trabalhador rural preso injustamente

O caso aconteceu após a morte de um sitiante em 2014, na região de Bragança Paulista. José Aparecido era caseiro da vítima e acabou apontado como envolvido, embora não houvesse provas consistentes.

O Supremo também reforçou que, em situações como essa, o Estado tem responsabilidade objetiva. Ou seja, precisa indenizar mesmo sem comprovação de erro intencional por parte dos agentes públicos.

Na prática, a decisão reconhece que houve erro judicial e que o trabalhador pagou por isso com anos de liberdade perdidos.

O que diz o Governo de São Paulo

A Banda B questionou o Governo de São Paulo sobre o cumprimento da decisão do Supremo Tribunal Federal, incluindo prazo para pagamento da indenização, possibilidade de recurso e eventual apuração de responsabilidades no caso. Até o momento, não houve retorno.

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