A cada início de mês, Juliano*, de 32 anos, avalia em qual unidade de saúde de São Paulo poderá fazer exames para checar se foi infectado pelo vírus HIV. “Eu dou a volta pela cidade à procura de um posto de saúde em que não me conheçam”, diz. Os resultados negativos dos testes trazem alívio ao rapaz por alguns dias, mas ele logo volta a se preocupar.

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Fernanda*, de 19 anos, vai com frequência ao ginecologista. Diariamente, ela pensa sobre a possibilidade de ter contraído alguma Infecção Sexualmente Transmissível (IST), mesmo sem vivenciar situações em que pode ter se exposto ao risco. “Somente me acalmo quando faço exames e vejo que deu negativo para todas as ISTs”, diz. Maria*, de 25, ficou preocupada após a camisinha se romper – parou de fazer sexo e, desde então, se submete a testes frequentes.

Juliano, Fernanda e Maria fazem parte de um grupo de pessoas que tem crescido nos últimos anos, de acordo com especialistas consultados pela BBC News Brasil: aquelas que, por motivos diferentes, desenvolveram pânico de pegar alguma doença por meio do sexo e, por isso, se submetem a vários e desnecessários exames mesmo sem ter passado por nenhuma situação que ofereça risco.

A infectologista Helena Duani, professora da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), costuma atender, por semana, de dois a três casos de pessoas que acreditam ter sido infectadas por alguma IST, mesmo sem ter vivenciado uma situação de risco.

“Elas marcam a consulta e chegam com as inúmeras dúvidas, em geral sem nenhuma queixa ou sintoma”, conta.

Segundo o infectologista Alexandre Naime, professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Botucatu (SP), os casos de pessoas com frequentes pensamentos sobre ISTs, mesmo com exames e médicos confirmando que não há infecção, aumentaram. Para ele, o principal motivo para isso são as informações difundidas na internet.

“As pessoas estão muito mais informadas. Hoje, há algumas situações com as quais elas não se preocupavam antes, por conta das divulgações sobre diversos assuntos nas redes sociais. Por isso, o médico deve informar o paciente e deixá-lo bem tranquilo quando uma possível contaminação por alguma IST for totalmente excluída”, diz.

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