Mulher que fingia ser adolescente também se passou por vítima de tortura e mobilizou Conselho Tutelar

Novas revelações apontam que suspeita de 37 anos é a mesma pessoa envolvida no caso das "200 agulhas no corpo"

Informações Ric RECORD

O caso da mulher de 37 anos presa em Santa Catarina após fingir ser uma adolescente de 12 anos continua revelando novos capítulos. Depois de descobrir que a suspeita enganou uma família por mais de um ano ao se apresentar como uma criança vulnerável, investigações e documentos mostram que ela também conseguiu convencer órgãos públicos, profissionais especializados e instituições de acolhimento em diferentes estados brasileiros. Ela é apontada como a mesma pessoa envolvida em um caso de 2010, quando teria procurado as autoridades afirmando ter 200 agulhas inseridas no corpo.

Montagem mostra, à esquerda, exame de raio-X com diversas agulhas espalhadas na região da perna. À direita, imagem da mulher investigada por fingir ser adolescente, usando máscara de proteção.
Exame revelou a presença de dezenas de agulhas no corpo de Amanda Maria Souza de Oliveira. O caso ganhou repercussão nacional anos antes da prisão da mulher por falsa identidade e estelionato em Santa Catarina. Foto: Reprodução/ Ric RECORD.

Segundo informações obtidas pela Ric RECORD, Amanda Maria Souza de Oliveira utilizou diversas identidades falsas ao longo dos anos, entre elas “Gabriele”, “Emily”, “Karoliny” e “Duda”. Em todas as versões, apresentava histórias marcadas por abusos, doenças graves, abandono familiar e situações extremas de violência.

Conselho Tutelar e abrigo acolheram falsa adolescente

Documentos mostram que Amanda conseguiu ingressar em uma casa de acolhimento infantil em Santa Catarina após apresentar um boletim de ocorrência usando o nome falso de Karoliny.

Na ocasião, ela alegou ter apenas 13 anos e relatou uma série de abusos sofridos durante a infância. O caso chegou ao Conselho Tutelar e mobilizou equipes da assistência social.

Conforme relatos de profissionais envolvidos no atendimento, a mulher afirmava ter fugido de situações de exploração, prostituição forçada e violência familiar.

A versão apresentada foi considerada tão grave que motivou procedimentos de proteção e acolhimento institucional.

Ministério Público chegou a pedir proteção

O Ministério Público de Santa Catarina chegou a solicitar medidas protetivas para a suposta adolescente. Nos relatos apresentados às autoridades, Amanda afirmava ter sido vítima de tortura, exploração sexual e cárcere privado.

Ela também justificava a aparência física de adulta alegando que teria sido obrigada a tomar hormônios durante a infância.

As investigações posteriores, porém, levantaram suspeitas sobre a veracidade das informações.

Caso das 200 agulhas pode ter ligação com a suspeita

Outro detalhe que chamou a atenção é que Amanda seria a mesma pessoa envolvida em um caso que ganhou repercussão nacional em 2010.

Na época, uma jovem procurou autoridades no Ceará afirmando que os pais colocavam agulhas e outros objetos em seu corpo durante supostos rituais de magia negra.

Exames de raio-X mostraram a presença de agulhas e até uma chave no organismo da paciente.

A denúncia resultou na abertura de um inquérito policial, mas testemunhas ouvidas durante a investigação contestaram a versão apresentada. Os pais também negaram as acusações e afirmaram que a filha apresentava problemas psiquiátricos.

Defesa pede avaliação psiquiátrica

Durante depoimento à polícia em Santa Catarina, Amanda relatou que passou por tratamentos de saúde mental no Ceará, incluindo acompanhamento em um Centro de Atenção Psicossocial (Caps) e em hospitais especializados.

Diante do histórico da investigada, a defesa solicitou a realização de um exame de sanidade mental para avaliar sua capacidade de responder pelos próprios atos.

A análise deverá determinar se a mulher apresenta algum transtorno psiquiátrico que possa ter influenciado sua conduta ou se tinha plena capacidade de compreender as consequências das ações atribuídas a ela.

Investigada em diversos estados

Segundo autoridades catarinenses, Amanda é investigada por suspeitas de estelionato e falsa identidade em pelo menos seis estados brasileiros.

Ela ganhou notoriedade recentemente após ser presa em Joinville, no dia 2 de junho, onde viveu por cerca de 14 meses com uma família que acreditava estar acolhendo uma menina de 12 anos.

O caso segue sob investigação e novas vítimas continuam procurando a polícia para relatar situações semelhantes.

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