Por Marina Sequinel, Luiz Henrique de Oliveira e Flávia Barros
(Foto: Reprodução)O vídeo de um policial civil armado com fuzil e granadas invadindo um condomínio em Campo Largo, na região metropolitana de Curitiba, está circulando nas redes sociais nesta sexta-feira (20).
As imagens mostram o momento em que o policial, identificado como Gabriel Castanheira, chega no local em uma BMW e pede para que os porteiros abram o portão. Os trabalhadores se recusam e ele volta para o carro, armado com um fuzil: “Abre, senão eu vou fuzilar todo mundo”, grita o policial.
O porteiro, então, responde: “Fuzila, fuzila”. Nesse momento, Castanheira quebra o vidro da guarita com o fuzil, derrubando o computador e todos os objetos que estão na mesa. Ele pula a janela e fala para um homem, que parece ser policial militar, não sacar a arma. “Não saca que não dá […]. Eu avisei, ninguém pode me impedir de entrar”. “Você entrou, cara”, responde o porteiro. Em seguida, Castanheira passa pelo portão e solta uma granada no terreno.
Defesa do policial civil
A Banda B entrou em contato com o advogado Claudio Dalledone, que faz a defesa do policial civil. Segundo ele, Castanheira mora no condomínio e foi impedido de entrar em casa. “O Gabriel foi impedido de exercer o seu direito e, tendo o constrangimento ilegal, ele reagiu. O empresário Luís Mussi, que também mora no condomínio, fez uma guarita em um local público e simplesmente fechou o portão para o policial”, disse Dalledone.
Segundo ele, Castanheira já havia registrado um Boletim de Ocorrência contra o empresário, por invasão a domicílio e destruição de parte do imóvel. “Como o policial o denunciou, isso foi uma revanche, ele foi querer impedir o Gabriel de entrar na própria casa”, completou.
Lado do empresário
O advogado de Luís Mussi, Rodrigo Muniz, confirmou que o policial civil mora em uma das casas dentro do condomínio, que teria sido alugada da irmã do empresário. “Para preservar a intimidade e privacidade da família, que há muitos anos é proprietária do local, nós tentamos uma solução consensual, que não foi aceita. Tentou-se abrir um acesso onde caberia apenas a instalação de um portão para que o policial pudesse entrar, mas ele não quis e tomou essa atitude absurda e abusiva”, relatou.
Ainda segundo Muniz, o contrato de comodato de Castanheira não foi apresentado para o dono do condomínio. “Justamente para não criar uma situação de desconforto em um condomínio familiar, onde uma casa é ocupada por alguém que ninguém nem tinha ouvido falar, eles tentaram fazer esse novo acesso. Foi dado um prazo, mas ele não cumpriu”.
O advogado ainda negou que a guarita que aparece no vídeo tenha sido instalada em local público. “Não há nenhum policial fardado ali também, isso é uma visão estapafúrdia. Se tratam de policiais aposentados, que não são mais ligados à corporação”, finalizou.
Nota oficial
Confira abaixo nota oficial da Polícia Civil sobre o caso:
O Departamento da Polícia Civil (DPC) determinou à Corregedoria Geral da Polícia Civil uma apuração rigorosa sobre o ocorrido, inclusive solicitou que todas as armas, da Divisão Estadual de Narcóticos (Denarc), em poder deste policial, fossem recolhidas. Foi solicitado ainda, um relatório de diligências à unidade de lotação do policial, os motivos da conduta do servidor.
A Corregedoria instaurou procedimento administrativo interno, comunicando a chefia direta do servidor, bem como encaminhou as reclamações para a Polícia Civil de Campo Largo para apurar as responsabilidades criminais.
Entretanto, tendo em vista a gravidade do ocorrido, o DPC determinou o afastamento do investigador de polícia de suas funções operacionais até a conclusão do procedimento.
Sobre as investigações foi apurado que o condomínio, localizado na área rural de Campo Largo, onde aconteceu o tumulto, se encontra em litígio na área civil com referência a partilha entre os familiares, sendo que uma das herdeiras autorizou mediante contrato de comodato que o policial civil ocupasse uma das casas da área.
A investigação preliminar tem prazo de 30 dias para conclusão, devendo após ser encaminhada para instauração de processo administrativo disciplinar, com previsão de pena de demissão.
Assista ao vídeo abaixo:
A autoria do vídeo é desconhecida e a responsabilidade pela legenda e edição não é da Banda B.
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