Por Marina Sequinel

(Fotos: Reprodução/Facebook)

“Quando eu pegava no sono, me via dentro do carro, tudo em chamas”. Essa foi a madrugada do representante comercial Rafael Bocks, de 33 anos, um dos sobreviventes do trágico acidente que matou quatro pessoas no km 33 da BR-277. Ainda muito assustado, ele não conseguiu dormir nesta segunda-feira (4).

rafael-brocksforaRafael conseguiu escapar enquanto o carro dele pegava fogo. (Foto: Reprodução/Facebook)

“Eu achei que ia morrer na batida e só pensei ‘vai acabar deste jeito, assim?’”, comentou o rapaz em entrevista ao radialista Geovane Barreiro para o Jornal da Banda B 2ª Edição. Morador de São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, ele voltava de uma visita à família em Paranaguá no momento da tragédia.

Ele seguia devagar quando viu um clarão atrás de um morro em uma curva fechada. “Parecia um sol. Logo em seguida, o caminhão apareceu, muito rápido e o tanque já queimava inteirinho. A carreta saiu da pista e todo mundo começou a jogar o carro para a direita, para não ser atingido. O problema é que não tinha mais para onde ir e eu fiquei preso”, completou Rafael.

O tanque continuou a avançar e ele tentou escapar pela direita, mas sem sucesso. O tanque bateu de frente e pela lateral do automóvel onde Rafael estava. O veículo que vinha atrás colidiu junto. “Começou a cair combustível dentro e em cima do carro. Ele estava cheio de mercadorias e caixas, eu não tinha por onde sair. Olhei para trás e vi que um dos vidros da lateral estava quebrado. Tive dificuldades para tirar o cinto e o veículo já estava queimando, tinha fogo para tudo quanto é lado. Não sei como consegui puxar o corpo para fora, pela janela”.

Quando Rafael saiu, se deparou com um ‘rio de combustível’. Ele se apoiou na porta do carro e caiu com o pé sobre a poça que pegava fogo. As chamas atingiram a perna dele. “Eu saí correndo e me joguei no mato. Tirei o casaco e a calça para tentar apagar o fogo, foi desesperador”.

As vítimas fatais e o bebê que sobreviveu

No meio de toda a tragédia, Rafael viu o carro onde três pessoas, um homem, uma mulher e uma criança, morreram carbonizadas. Além disso, o representante comercial também presenciou o momento em que a quarta vítima do acidente salvou um bebê antes de morrer.

“Esse homem parou atrás de mim, tirou o neném de dentro do carro dele e saiu correndo no meio das chamas. Ele estava pegando fogo até a cintura e jogou o bebê no mato. Depois, caiu na galeria às margens da estrada, talvez achando que tinha água, mas o combustível já havia se espalhado por tudo. Foi terrível, gente chorando, correndo, fogo por todos os lados. Essa noite eu não consegui dormir. Toda vez que pegava no sono me via dentro do carro de novo, tudo queimando. Eu achei que ia acabar tudo ali”, finalizou.

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