Por Marina Sequinel e Flávia Barros

(Fotos: Flávia Barros – Banda B)

Os moradores da Cidade Industrial de Curitiba estão preocupados com uma ordem de reintegração de posse da Vila Concórdia. “Se nada for resolvido e nós formos despejados, vamos morar debaixo da ponte, do viaduto, porque não temos para onde ir”, desabafou Roselei dos Santos, de 42 anos, que vive no loteamento há um ano.

vila-concordia4dentroRoselei afirma que não tem para onde ir se for despejada. (Foto: Flávia Barros – Banda B)

Revoltada com o pedido de saída, que deve acontecer até as 6h desta quarta-feira (20), a comunidade fechou o Contorno Sul no início da tarde de hoje (19) e promete uma nova manifestação para as 18h, se nada for resolvido. Por outro lado, a prefeitura alega que qualquer construção no espaço é proibida, já que no local funcionava um aterro sanitário, chamado de “Lixão da Vila Barigui” – o que causa sérios riscos aos moradores. (Leia a resposta na íntegra abaixo)

Sem concordar com a decisão da Justiça, Roselei pede que a Companhia de Habitação Popular de Curitiba (Cohab) consiga um novo lugar para os moradores ou que o prazo para a saída seja estendido. “Eu e o meu marido ficamos desempregados e não havia condições de pagar aluguel. Acabou o trabalho, o dinheiro e não sabíamos mais o que fazer. Nós juntamos tudo o que tínhamos para construir a nossa casinha aqui”, completou.

Roselei tem duas filhas, que vão a pé para a escola por falta de recursos para conseguir transporte. “É um pouco longe, mas nós levamos as duas caminhando, um dia eu e no outro o meu marido. Não temos nenhum suporte nem em posto de saúde, por causa da reintegração de posse, por não estarmos regularizados. Queremos que as autoridades nos deem tempo para a gente ir à algum lugar ou que nos deixem aqui enquanto definem isso”, finalizou.

Outro lado

Em nota, a Prefeitura de Curitiba informou que a ocupação fica na área de um antigo aterro sanitário, conhecido como “lixão da Vila Barigui” – e, portanto, a permanência no local representa risco para a saúde e a integridade física das pessoas, dado o alto grau de contaminação, inclusive por lixo hospitalar. Leia a nota na íntegra:

Desde o início da ocupação, em março deste ano, a Curitiba S.A., empresa de economia mista proprietária da área, vem fazendo tentativas amigáveis de desocupação. Diante da resistência dos moradores e do risco que a ocupação representa para eles, a empresa recorreu à Justiça pedindo a reintegração de posse, que foi concedida pela juíza Patrícia de Almeida Gomes Bergonse, da 5ª Vara da Fazenda Pública de Curitiba. Na decisão, a juíza afirma que é “evidente que a própria ocupação coloca em risco a saúde dos ocupantes, diante do alto nível de contaminação do local”. O prazo de 10 dias para a desocupação voluntária do local não foi cumprido, mas não há data agendada para o cumprimento da ordem judicial de reintegração.

A Prefeitura mantém diálogo com as famílias da ocupação por meio da Administração Regional da CIC e da Cohab, que já iniciou o cadastramento no local. Após o levantamento dos dados de todas as famílias, a Cohab verificará a situação de cada uma e a possibilidade de inclusão no programa habitacional do Município.

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