Por Felipe Ribeiro, Denise Mello e Djalma Malaquias

Estação-tubo no Terminal do Santa Cândida estava lotado nesta manhã – Foto: Banda B

Mesmo com a passagem custando R$ 4,25, a mais cara entre as capitais do país, a população de Curitiba e Região enfrenta mais um dia de greve de ônibus nesta quinta-feira (16). Por volta das 5 horas poucos ônibus circulavam, mas em torno das 7 horas a prefeitura de Curitiba informou que 52% dos coletivos estavam circulando, respeitando assim a frota mínima de 50%, determinada pela Justiça para horários de pico. O horário de pico é das 5h às 9h e das 17h às 20h. Nos demais horários a frota mínima é de 40%. Na última parcial, 670 ônibus circulavam na região de Curitiba, segundo a Urbs.

De acordo com o Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus (Sindimoc) o objetivo é respeitar a determinação judicial com a frota estabelecida. Motoristas e cobradores permanecem em greve em razão do impasse sobre o reajuste salarial. Como a database foi em fevereiro e até agora não houve acordo entre patrões e trabalhadores, a greve permanece por tempo indeterminado.

“Estamos com dificuldade para controlar o número de veículos que estão saindo de cada garagem para cumprir a frota mínima. Tem empresa que quer soltar mais outras não sabemos. Pedimos que as empresas nos passem o total da frota, mas isso não foi feito. Estamos negociando há 50 dias e até agora não houve uma proposta plausível ou disposição de acordo por parte das empresas, Urbs e Comec. A categoria está mobilizada e vamos ficar parados o tempo que for necessário. A greve continua”, afirmou nesta manhã o presidente do Sindimoc, Anderson Teixeira, em entrevista ao vivo na Rádio Banda B.

A Urbs, informou que, atingida a frota mínima, ficam suspensos novos cadastramentos de particulares. Os 870 cadastrados ontem podem continuar o transporte alternativo de passageiros, mas fora das canaletas.

Metade da frota circula nesta quinta nos horários de pico – Foto: Banda B

Greve de quarta

Ontem, no Dia Nacional de Mobilização contra as reformas do governo, por volta das 14h30, o retorno da frota mínima de ônibus começou de forma bastante lenta em Curitiba. De acordo com a Urbanização de Curitiba (Urbs), apenas 17% da frota circulava por volta das 20h15 desta quarta-feira (15). Na região metropolitana, a Comec ainda não informou a parcial. A decisão do Tribunal Regional do Trabalho do Paraná (TRT-PR) estipulou multa de R$ 100 mil por hora a sindicatos dos trabalhadores e das empresas em caso de não cumprimento da frota mínima de 50% nos horários de pico (5h às 9h e 17h às 20h) e 40% nos demais períodos do dia.

Auxiliar administrativa, Josiane de Matos, tentou embarcar para Colombo no Terminal Guadalupe no fim da tarde desta quarta-feira, mas já aguardava um ônibus há mais de 1 hora e meia. “No meu caso, preciso pegar esse ônibus e até agora não chegou. Algumas linhas, como para São José dos Pinhais, até apareceu, mas eu também preciso ir para casa”, disse.

De acordo com o Sindimoc, as empresas foram notificadas exatamente 14h50 pelo Sindimoc de que trabalhadores estavam disponíveis para trabalhar. “Ou seja, logo após o Sindimoc ser notificado pela Justiça, as empresas já foram informadas do cumprimento da frota mínima. Desde então, os trabalhadores estão disponíveis. É responsabilidade das viações, que operam o sistema, e da Urbs convocar os trabalhadores para trabalhar e colocar o sistema para funcionar”, informou por meio de nota.

Em nota, o Sindicato das Empresas de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana (Setransp) contrariou a posição do Sindimoc e afirmou que sindicalistas vem impedindo a saída dos ônibus. “As empresas tentaram durante todo o dia colocar a frota em operação, mas, em muitas garagens, membros do Sindimoc impediam a saída dos ônibus, chegando até mesmo a atravessar os veículos na porta da empresa e esvaziar seus pneus. Isso fere a Lei de Greve, que estabelece que ‘as manifestações e atos de persuasão utilizados pelos grevistas não poderão impedir o acesso ao trabalho nem causar ameaça ou dano à propriedade ou pessoa’ (…) As empresas solicitaram ao Tribunal Regional do Trabalho que defira a presença de um Oficial de Justiça em suas garagens para comprovar o cumprimento ou não, pelo Sindimoc, da decisão judicial que estabelece frota mínima de 50% nos horários de pico e de 40% nos demais horários”, disse em nota.

Até o momento, apenas a empresa Mercês já cumpre frota mínima de 40%.

Greve continua

Após a paralisação desta quarta, motoristas e cobradores seguem com greve geral a partir de quinta-feira (16), até que haja uma definição sobre a database da categoria. “A quarta-feira marcará o início da luta dos trabalhadores do transporte coletivo. Nossa greve é contrária à desvalorização de motoristas e cobradores, que por mais de 40 dias foram tratados com descaso, sem presença de poder concedente, e os empresários trataram sem proposta condizente”, disse o presidente do Sindimoc, Anderson Teixeira.

Durante a tarde, o sindicalista criticou o posicionamento da Urbs ao longo da negociação. “A Urbs está se isentando de participar desta negociação. Sempre tivemos a participação dela anteriormente para que o acordo fosse selado e hoje foram eles que entraram na justiça com pedido de frota mínima, o que comprova a participação no processo. São 45 dias de negociação e os empresários nos deram uma proposta inaceitável. A Urbs diz que a negociação é entre empregador e empregado, mas precisamos que ela busque uma solução como gestora do sistema”, lamentou.

Motoristas e cobradores querem reajuste de 15% e elevação do vale-alimentação de R$ 500 para R$ 977. Já o Sindicato das Empresas de Ônibus de Curitiba (Setransp) oferecem apenas a reposição do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) tanto no vale-alimentação quanto no salário, o que representaria 5,43% de reajuste. O Setransp informou que, por enquanto, não há perspectiva de nova oferta.

Foto: Antônio Nascimento – Banda B

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