Da Redação

Com objetivo de traçar um perfil sobre a população em situação de rua em Curitiba, a Fundação de Ação Social (FAS) realizou um levantamento sobre as condições em que eles vivem e buscar ações que possam mudar a realidade dos moradores. De acordo com a pesquisa, 1715 pessoas moram nas ruas da capital paranaense, sendo 59% na região central. Outros bairros que também contam com grande concentração de moradores de rua são o Portão e o Boqueirão.

fasFAS realiza acolhimentos diários nas ruas de Curitiba (Foto: SMCS)

De acordo com a superintendente de Planejamento da FAS, Jucimeri Isolda Silveira, a pesquisa passará a ser periódica, para analisar perfil, características, estratégias de sobrevivência, mas acima de tudo, fatores que possam interromper a condição de rua. “É uma ferramenta de avaliação das políticas implementadas e buscar novas formas de chegar até eles. Encontramos um número significativo de moradores para o período em que foi aplicada e, considerando a nossa capacidade de atendimento, encontramos uma aproximação ao acolhido na cidade”, explicou.

A pesquisa foi realizada pela FAS, em parceria com o Instituto Municipal da Administração Pública (Imap), e a amostragem durou 20 dias entre março e abril. Questionários foram aplicados, além das ruas, nos Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua e Casas de Passagem. A maioria dos moradores é de homens (89%) e 60% está na faixa etária dos 25 a 44 anos.

Para Jocimeri, a impressão que fica é de um número cada vez maior de moradores e rua em Curitiba e, a ideia de fazer essa análise em dezembro, servirá justamente para verificar se há alguma mudança em períodos. “Há essa observação de um aumento progressivo e queremos descobrir se alguns fatores levam ou não mais pessoas às ruas”, disse.

Perfil

Dos 1715 entrevistados, 1.133 correspondem a questionários aplicados a pessoas que foram entrevistadas nas ruas, em todas as regiões da cidade. Dentre eles, 25 pessoas declararam não estar em situação de rua e o questionário não foi aplicado. Além disso, durante a análise dos dados foram identificados 51 questionários respondidos em duplicidade e 122 pessoas se negaram a responder as perguntas.

Além dos moradores de rua que responderam os questionários aplicados nas ruas, 582 pessoas em situação de rua se encontravam acolhidas nas Unidades de Acolhimento da FAS e em entidades conveniadas quando a pesquisa foi aplicada. Dentre os entrevistados, 89% das pessoas são do sexo masculino e 11% são mulheres, e cerca de 60% está na faixa etária dos 25 44 anos.

Com relação à origem dessas pessoas, 58% se declarou de outra cidade ou estado, enquanto 42% são de Curitiba. Entretanto, quando o entrevistador perguntou sobre parentes próximos residindo na cidade, 55% afirmaram possuir. O questionário também indagou com qual frequência as pessoas mantinham contato com os familiares, sendo que a maioria (29%) conversa semanalmente com parentes próximos sendo pai e mãe (34%) os primeiros da lista, seguidos de irmãos (32%) e 15% mantêm contato com filhos.

Ao serem questionados sobre os motivos que os levaram à situação de rua, os quatro motivos principais foram: envolvimento com drogas, 27%; álcool, 24,7%; conflitos familiares, 22,3%; e desemprego, 9,9%. Como nesta pergunta o entrevistado poderia responder mais de uma alternativa, 13% das pessoas marcaram como motivo único o uso de drogas e 8% o consumo de álcool.

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