Por Marina Sequinel

Caso aconteceu no campus Ecoville, em Curitiba. (Foto: Divulgação)

As alunas da Universidade Positivo estão com ainda mais medo de andar pelo campus diante do caso de estupro registrado na instituição no dia 18 de abril. Muitas estudantes resolveram mudar de hábitos depois que uma jovem de 19 anos foi atacada por dois homens enquanto atravessava uma das passarelas do prédio.

Retrato-falado dos suspeitos circula nas redes sociais. (Foto: Reprodução)

“Nós percebemos que as pessoas estão pegando mais táxi ou Uber para voltar para casa, os namorados e conhecidos estão dando carona, esperando do lado de fora do bloco. Uma menina inclusive me contou que passou sozinha pela ponte onde o caso aconteceu e morreu de medo. Se as mulheres já estavam preocupadas com esse tipo de violência, agora é muito pior. Sabemos que pode acontecer de novo e só queremos nos sentir seguros”, comentou a aluna Ana Clara Cloremont em entrevista à Banda B.

Ela é representante do Coletivo Alzira, que marcou para a noite desta terça-feira (9) uma manifestação na Universidade, para exigir medidas de segurança e protestar contra a violência vivenciada pela colega.

“Nós faremos, a partir das 19 horas, uma concentração com cartazes e faixas. Estamos bem surpresos com a repercussão do evento que, no Facebook, teve mais de mil confirmados e outros mil interessados em menos de 24 horas. Acreditamos que muitas pessoas vão participar e isso nos deixa bem felizes, principalmente a empatia pela vítima. Nem sempre há sensibilidade suficiente para discutir casos de estupro. Na maioria das vezes a vítima é culpabilizada e precisa ouvir perguntas absurdas sobre o que aconteceu. Mas o nosso movimento está bonito de ver”, completou Ana Clara.

A manifestação começa às 19h desta terça na Ponte do Lago do campus Ecoville. No Facebook, já são mais de 1,7 mil confirmados no evento.

O caso

O crime aconteceu no dia 18 de abril, por volta das 21h. A jovem, no entanto, só informou a família e registrou Boletim de Ocorrência no dia 3 de maio por causa do medo e do trauma, segundo a polícia.

Um retrato falado dos dois estupradores com base na descrição da vítima já circula nas redes sociais. Um tem a idade aproximada de 25 anos e o outro de 30.

De acordo com o relato à polícia, a estudante atravessava uma das passarelas do prédio quando foi atacada pelos homens. Eles taparam a boca da jovem e a levaram para um matagal, onde a estupraram.

Universidade

Por meio de nota oficial, a Universidade Positivo afirmou que está colaborando com as autoridades para esclarecimento dos fatos e que prioriza o acolhimento e o atendimento à aluna e a família dela.

A instituição disse também que criou um comitê para estudar possibilidades de melhoria na estrutura de segurança, com participação de especialistas e representantes de alunos e funcionários.

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