Por Denise Mello e Bruno Henrique
Mais uma vez, o acordo fechado no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) nesta terça-feira (27) não foi cumprido e Curitiba e Região Metropolitana amanheceram praticamente sem ônibus nesta quarta (28). O acordo fechado no fim da tarde previa a volta imediata de 80% da frota, mas, de acordo com a Urbs, ontem à noite, apenas 14% dos ônibus circulavam nas ruas de Curitiba e região. Hoje pela manhã a situação era a mesma até por volta das 8 horas. Poucos ônibus circulavam e motoristas e cobradores faziam piquetes em algumas garagens impedindo a saída dos veículos. Nas estações-tudo não havia cobradores. Os trabalhadores ouvidos pela Banda B disseram que como o pagamento dos atrasados só deve ser feito até às 14 horas desta quinta-feira (29), eles só voltariam com o dinheiro depositado na conta, atitude contrária ao acordo firmado com a anuência do Sindicato dos Motoristas e Cobradores (Sindimoc), na reunião no TRT. Só por volta das 8 horas a situação melhorou e a Urbs informou que 80,28% dos ônibus estavam circulando.
Ontem, os empresários prometeram depositar o valor do “vale” com a condição de 70% da frota nos horários de pico. O Ministério Público do Trabalho, porém, pediu 80% da frota em todos os horários. O desembargador Luiz Eduardo Gunther acatou o pedido e determinou o retorno imediato. Até as 22 horas, porém, circulavam 153 carros, ou 14,75% da frota para este horário, que seria de 1037 ônibus. Desses 153 veículos rodando, 4 eram ônibus biarticulados. Algumas linhas que usam normalmente biarticulados estão operando com ônibus articulados com cobradores embarcados por causa da falta de cobradores nas estações tubo. É o caso das linhas Boqueirão e Santa Cândida/Capão Raso.
Hoje, um ônibus da empresa Glória foi abandonado, com os pneus murchos, em frente à Viação Almirante Tamandaré. Grevistas impediam as tentativas de retirada do coletivo e a Polícia Militar foi chamada ao local.
Nas ruas, os usuários estavam indignados. “É até pior assim. Quando não tem ônibus não tem. Agora, a gente liga pro patrão e e ele desconfia que a gente não quer trabalhar porque diz que tem ônibus. Estou no Ponto há mais de uma hora e não passa um sequer”, desabafou a costureira Gilda de Fátima Manhana, que aguardava um ônibus em Colombo.
Depósito
Por meio de nota, o governo do estado informou que vai depositar os R$ 5 milhões acordados nesta quarta-feira (28). Parte dos recursos será repassada à Urbs, da prefeitura de Curitiba, e parte diretamente às empresas que operam o sistema na Região Metropolitana de Curitiba. De acordo com a Urbs, o governo deve, no total, R$ 16,5 milhões para a Rede Integrada de Transporte, referente à operação das linhas metropolitanas. os outros R$ 10 milhões devem ser pagos em cinco vezes.
Ontem, em entrevista à Banda B, o presidente do Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus (Sindimoc), Anderson Teixeira, pediu para que todos os trabalhadores sigam para as garagens e cumpram a determinação de 80% da frota nas ruas. “Nós conseguimos fazer com que Urbs, Comec e empresários se mexam após tanto tempo quietos. Não podemos viver de greve e começamos una negociação que irá resolver os problemas do transporte coletivo da capital”, afirmou.
Segundo o sindicalista, já está agendada uma nova audiência para discutir a convenção coletiva.
Pelo Twitter, o prefeito Gustavo Fruet disse que o município é refém de uma integração mal planejada. “Somos reféns de uma licitação realizada há quatro anos que não equacionou sistema e falta licitação linhas metropolitanas. Compromisso dos sindicatos de retomar 100% operação assim q recurso for depositado. Solução pontual, mas que não resolve questão do financiamento do sistema”, disse.
Paralisação
Nenhum ônibus saiu das garagens nas madrugadas desta segunda e terça-feira. Com a deflagração da greve, a partir da zero hora, a porta das garagens foi bloqueada pelo Sindimoc, que impediu até mesmo a saída dos madrugueiros. A greve foi decidida pelo não pagamento do adiantamento salarial previsto em contrato, o chamado “vale”.
Estima-se que mais de duas milhões de pessoas tenham sido prejudicadas no primeiro dia de paralisação. A Urbs chegou a abrir o cadastramento de veículos particulares para oferta de transporte alternativo. O preço autorizado é de R$ 6,00 por passageiro.
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