O Banco Central (BC) quer terminar até o final de 2021 a maior parte da elaboração do sistema Open Banking no Brasil. O termo faz referência a “Sistema Financeiro Aberto” e a ideia é que dados de clientes sejam padronizados e compartilhados entre instituições bancárias para que produtos e serviços possam atender às necessidades do público. Além disso, o sistema também é uma oportunidade para a busca por novos clientes.

De acordo com o doutor em Desenvolvimento Econômico e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR) José Guilherme Vieira, o sistema Open Banking deverá ser uma oportunidade dar ao cliente cada vez mais o controle das próprias finanças. A implementação completa do sistema, segundo o BC, deve acontecer apenas em setembro de 2022.

Foto: Agência Brasil

Com a ascensão das fintechs (empresas que unem finanças e tecnologia), o novo sistema também vai permitir com que os bancos entrem em um mercado mais dinâmico, sempre em busca de atender as principais necessidades dos seus clientes. No Open Banking, informações sobre empréstimos, transações bancárias, tudo pode ser compartilhado pelo cliente.

A ideia do sistema é dar autonomia para que o cliente escolha os dados que quer compartilhar. Com isso, por meio de um aplicativo, o Banco Central quer oferecer segurança para que os clientes não tenham dados sendo utilizados de forma ilícita. “A sua vida financeira compartilhada com outras instituições financeiras”, define José Guilherme ao começar a falar do Open Banking.

E se eu me arrepender de compartilhar os dados?

Cliente pode escolher dados que quer compartilhar. Foto: Unsplash

De acordo com o Dr. José Guilherme, o Open Banking deve funcionar por meio de uma plataforma de Tecnologia da Informação que vai permitir com que você veja dentro de uma instituição, dados e cooperações de outras instituições. Com isso, se o cliente está consultando o banco A e quiser saber mais sobre o limite de crédito do banco B, ele pode fazer isso por meio da plataforma.

O economista destaca que o Open Banking tem um regulador com alto nível de segurança de dados no Banco Central, que conta com um sistema bancário sofisticado com grande investimento em recursos. Em alguns bancos, o especialista conta que o Open Banking já está no aplicativo. No entanto, o próprio BC afirma que a atual fase de implementação serve para fazer ajustes no novo sistema.

O cliente que quiser compartilhar seus dados vai pode selecionar o que quer compartilhar, para qual instituição e terá a chance de mudar isso no futuro. Com isso, o sistema não deve causar problemas para quem se arrepender de fazer o compartilhamento das informações bancárias.

Assédio aos clientes

Ofertas devem aumentar, diz especialista. Foto: Agência Brasil

O Dr. José Guilherme ressalta que o Open Banking deve trazer a possibilidade de uma agressiva concorrência entre os bancos. Ao mesmo tempo, esse acirramento entre as instituições deve fazer aumentar o número de ofertas para os clientes.

“Elas (instituições bancárias) vão saber o que está comprando na outra instituição e vão te oferecer uma linha de crédito mais apropriada e adequada. Com esse conhecimento, o sistema vai se aperfeiçoando e oferecendo produtos mais adequados para você”, explica o especialista

Com o aumento no número de ofertas para os clientes, a tendência é que a quantidade de ligações ou notificações de promoções nos aplicativos comece a aumentar. “Certamente, isso vai acontecer, o assédio para que você mude de linha. Essa é a ideia na realidade”, diz o professor.

O que falta para implementar?

Open Banking está com projetos pilotos. Foto: Agência Brasil


Segundo o Dr José Guilherme, os aplicativos de banco já estão com o Open Banking. O sistema começou a rodar os seus projetos pilotos. Para o especialista, o sistema vai gerar desconfiança no início, no entanto, para ele, a população vai acabar percebendo os benefícios do Open Banking no futuro.

“As pessoas estão em um grau de endividamento muito grande, mudanças de linha de crédito, compras, dívidas, isso pode ser bastante útil para resolver o problema dos endividados”, afirma

Para o especialista, todos os sistemas considerados como novidade geram apreensão no início da implementação. Contudo, com o tempo, eles podem acabar tendo maior utilidade, como é o caso do PIX.

O Open Banking entra em sua terceira fase a partir de 29 de outubro. O próximo passo para implementação do sistema está na integração de serviços com início de transações de pagamentos, começando pelo PIX. A autonomia para aceitar ofertas de crédito é dos clientes.

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