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Após as recentes declarações do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sobre possibilidade de ruptura institucional, muito se fala que as manifestações marcadas para esta terça-feira (7) podem ser um grande ponto de virada que ajudará a definir o rumo da política brasileira para os próximos anos.
Recentemente, mensagens enviadas do celular pessoal do presidente convocaram ‘direitistas’ para participar de atos no dia 7 de setembro para pedir um ‘necessário’ contragolpe conta instituições como o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal (STF).
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Para o mestre em educação, professor do Curso Positivo e historiador Renato Mocellin, é equivocado falar em “golpe militar” já que Bolsonaro está no poder. Com isso, a ideia do presidente seria dar um autogolpe e, ele como chefe do Executivo, poderia governar sem amarras institucionais para limitar as suas ações.
O professor faz um paralelo dos tempos atuais com o ano de 1961 quando o então presidente Jânio Quadros pensava que, ao renunciar da presidência, o povo pediria para que ele voltasse ao poder. Com isso, Mocellin destaca que golpes quebrarim a legalidade do que já está previsto em lei e isso implicaria em mudanças no poder. O que não seria o caso para o presidente Bolsonaro
Policiais nas manifestações
Recentemente, a apreensão entre governadores do Brasil sobre a participação de policiais militares nas manifestações de 7 de setembro está crescendo. Não faz muito tempo que Aleksander Lacerda, Coronel da Polícia Militar de São Paulo, foi afastado pelo governador João Dória (PSDB). Esse não foi o único caso, o coronel da reserva Davi Azim, do Corpo de Bombeiros do Ceará, por exemplo, divulgou vídeo chamando militares da reserva para Brasília para “adentrar ao STF e ao Congresso”.
A segurança em torno do STF e do Congresso Nacional será reforçada neste feriado, mas essa não é a única preocupação. Um estudo realizado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública joga luz sobre o tema e com base em análises nas redes sociais, é possível perceber que os grupos radicais bolsonaristas avançam sobre os quartéis de polícias militares. As interações de policiais com esses perfis favoráveis ao presidente cresceu em 24% entre 2020 e 2021.
Na visão do professor Mocellin, o fato de policiais começarem a tomar partido e apoiar manifestações é gravíssimo. Principalmente porque esses protestos em favor do presidente podem violar a legalidade constitucional “O papel das forças armadas é proteger e zelar pelo estado democrático de direito. A partir do momento em que policiais militares do estado A ou B vão para a rua defender o governante A ou B é gravíssimo”, destaca.
“Quando você vê as polícias militares dos estados tomando partido, você tem um partido armado”, diz
O historiador destaca que o fato dos manifestantes estarem armados, a chance desse armamento ser utilizado contra possíveis inimigos políticos também aumenta. “O papel da Polícia Militar deve ser de proteger a população que participa das manifestações e, obviamente, zelar pela paz social”, afirma.
O professor ressalta que, em países democráticos, policiais militares que se posicionam de forma contrária a ordem constitucional devem ser punidos. Na França, por exemplo, generais fizeram um manifesto em que listavam exigências para o presidente Macron. Todos eles acabaram sendo afastados.
“Os governadores estaduais tem que punir sim!”, diz
Contexto para um golpe
No Brasil, não houve punição ao ex-ministro da Saúde General Eduardo Pazuello, que participou de uma manifestação em favor de Bolsonaro no Rio de Janeiro. Mocellin acredita que a decisão de não punir Pazuello mostra que os bolsonaristas gostariam de reescrever a história.
Na época do golpe de 64, a grande imprensa e alguns governadores apoiavam os militares. Havia o medo de uma reforma agrária proposta pelo então presidente João Goulart, então o setor empresarial também queria mudanças. Além disso, havia o apoio externo dos Estados Unidos para que o Brasil tivesse um terreno fértil para uma alteração no poder. Por fim, o temor do comunismo também levou a ascensão do governo militar.
Diferente do contexto no passado, Mocellin aponta que o atual momento complicaria os planos de Bolsonaro tentar aumentar os seus poderes. “Como o presidente vai tentar um autogolpe com a inflação do jeito que está, 15 milhões de desempregados, uma gestão ambiental desastrosa?”, questionou o professor.
O especialista também cita a gestão da pandemia e a economia estagnada como problemas para que Bolsonaro obtenha apoio popular para ganhar mais poder. Pesquisas recentes indicam que o presidente tem o apoio de pouco mais de 20% da população.
“Muitos policiais não vão se expor e não apoiam”, opina o professor
Bolsonaro mais forte depois das manifestações?
Para o professor Mocellin, as manifestações deste feriado não devem trazer grandes impactos para a popularidade do presidente. O especialista ressalta que os mais de 20% que apoiam as ações de Bolsonaro são parte de um eleitorado fiel. Além disso, ele destaca que a maior preocupação em relação aos protestos deve ser com a possibilidade de violência.
“Nas manifestações contra o Bolsonaro, teremos pessoas infiltradas que vão depredar o patrimônio para dar a essa manifestação uma conotação de desordem, de radicalização, de que é preciso chamar as forças de segurança para restabelecer a ordem”, diz
De acordo com o professor, o presidente gosta de fazer política enquanto parte para o confronto e o desejo é de que as manifestações não transcorram dentro da normalidade. “Bolsonaristas tem direito de se manifestar desde que essas manifestações sejam dentro da ordem. Como os oposicionistas também tem o direito de se manifestar”, afirma.
Mocellin explica que o confronto entre é uma preocupação, já que a bipolarização na política brasileira permanece como uma forma de uma pessoa agredir a outra. “Não é isso que nós precisamos”, diz.
O especialista ainda acrescenta: “caminhemos para 2022 com debate, com vários candidatos e que a população escolha um candidato que de forma transparente coloque o seu programa de governo em um debate civilizado”.

