Como ter bons hábitos financeiros e manter o orçamento saudável?

Segundo especialista, gatilhos financeiros podem atrapalhar forma de lidar com o dinheiro no dia a dia

Rodrigo Silva

Como ter bons hábitos financeiros e manter o orçamento saudável?

Em caso de dificuldades para assistir pelo Portal Banda B, acesse o vídeo pelo Youtube da Banda B

Você já ouviu falar de finanças comportamentais? É uma área de estudo, que avalia fatores psicológicos, sociais e emocionais para tentar traçar uma espécie de um perfil de comportamento econômico das pessoas. Segundo estudo publicado no site Juros Baixos, alguns gatilhos no modo como cada indivíduo se porta pode ter impacto direito na vida financeira de muitas pessoas.

De acordo com a professora da Escola de Negócios da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) Angela Póvoa, há uma relação emocional da maioria das pessoas com o dinheiro, o que faz com que nem sempre os consumidores procurem comprar produtos que realmente precisam ter em casa. No caso, a falta desse comportamento racional faz com que os indivíduos se percam em torno do consumo desnecessário.

A especialista acredita que uma das principais armadilhas para o consumo desenfreado está no uso do cartão de crédito que dá a alusão de um pagamento que pode ser postergado.

“Como eu jogo aquele problema pra frente, é muito comum que você veja pessoas extremamente endividadas”, diz

Nas finanças comportamentais, há uma série de gatilhos do comportamento que podem impactar diretamente no orçamento de muitas pessoas. Esse modo de se comportar é percebido frequentemente entre os indivíduos, e influência em como cada um lida com o orçamento. Com isso, o jeito que a pessoa está se portando conflitar com as finanças dela.

Aversão à perda de dinheiro

Gatilhos podem impactar de maneira prejudicial no orçamento. Foto: Agência Brasil

Segundo Angela, a alegria em ganhar R$50 e perder R$50 seria a mesma em termos de magnitude pela quantidade de dinheiro, no entanto, o economista Daniel Kahneman, ganhador do Prêmio Nobel de Economia, acreditava que a maioria das pessoas fica mais incomodada em perder do que em ganhar dinheiro.

A aversão à perda geralmente faz o indivíduo correr mais riscos. Afinal, cada pessoa tenta reparar as perdas ao invés de se contentar com o lucro que conquistou.

Isso não impede nenhuma pessoa de fazer escolhas ruins”, afirma a professora

De acordo com a especialista, existem comportamentos que podem ser seguidos para que isso possa impedir que os indivíduos tomem decisões financeiramente ruins. Como exemplo, ela cita que é mais fácil ficar endividado pagamento compras usando o cartão de crédito do que com o débito.

“Se você está indo no shopping deixa o cartão no porta-luvas, se você for fazer compra terá que sair da loja, descer, pegar no carro e nesse trajeto você pode repensar aquela compra”, diz

Com essa possível estratégia, o indivíduo consegue “se blindar de si mesmo” e acaba evitando um comportamento de compra por impulso. “O ser humano é por natureza impulsivo e você cria condições para não entrar em furadas financeiras”, destaca a especialista.

Compra por impulso

Comércio prepara alguns produtos para que compras sejam feitas por impulso, diz especialista. Foto: Agência Brasil

Angela ressalta que o próprio comércio prepara amostras atrativas de produtos para que o consumidor faça compras por impulso. Com isso, se o consumidor estiver ciente de que o caixa de um supermercado ou uma loja de departamentos conta com produtos baratos, fica mais fácil regular a possível compra por impulso.

“Se você vai em um supermercado aquilo que fica na altura dos olhos é o supérfluo, aquilo que você precisa comprar está na gôndola de baixo”, diz

A especialista afirma que é possível criar estratégias de não impulsividade para ajudar diretamente no dia a dia. Segundo ela, fazer compras ao lado de amigos no shopping ou estar ao lado de crianças pode influenciar diretamente no comportamento impulsivo. Por isso, é importante que cada pessoa tenha em mente quando uma compra é desnecessária. Afinal, o objetivo é não ter um orçamento pesado no final do mês.

Comportamento na hora de investir

Perfil no investimento está relacionado a experiências pessoais, diz especialista. Foto: Agência Brasil

De acordo com Angela, existem investidores de diferentes perfis que foram formados ao longo da vida e das experiências pessoais de cada pessoa. Existem pessoas que gostam mais de se arriscar no mercado e outras que preferem ser mais conservadores.

Contudo, a especialista afirma que a maioria dos investidores está sujeita a gatilhos de finanças comportamentais, como por exemplo, investir em ações mais arriscadas no mês de janeiro.

“Pela razão de que o ano está no começo, representa um recomeço e é uma anomalia mapeada. Muitas pessoas se deixam levar por certas questões independente do perfil de risco”, diz

Segundo a professora, quem costuma dedicar mais tempo aos investimentos costuma ter mais sucesso já que está observando mais o comportamento do mercado. Outro gatilho comum é o efeito da disposição.

Esse efeito consiste em vender artigos que estão lucrando mais, se uma pessoa tem uma ação que está dando lucro e outra com perda, a tendência é que a mais lucrativa seja vendida. Afinal, há a esperança de que a que está dando perda possa ser revertida.

“Por aversão à perda, as pessoas costumam segurar o artigo ruim e vendem o bom”, destaca

Angela destaca que esses efeitos devem ser ensinados para que os investidores fiquem em alerta na hora de investir.

Bons hábitos

De acordo com a especialista, a maneira como um indivíduo ganha dinheiro impacta no seu hábito financeiro. Segundo ela, como pagar as contas, o modo como o dinheiro é gasto, tudo isso influencia no controle do orçamento no final do mês. “Todo um conjunto de elementos movem essas decisões, muito distante do racional”, afirma.

Sair da versão mobile