Paraná aposta em solução política para evitar novo leilão da sede da Kennedy

Em nota, Tricolor divulga próximos passos após local não ter sido arrematado

Thiago de Araújo

Paraná aposta em solução política para evitar novo leilão da sede da Kennedy
Ampla sede da Kennedy vai a leilão, em mais um triste capítulo paranista. Foto: Reprodução/Marangoni Leilões

Sem comprador depois de dois leilões, a sede social da Kennedy do Paraná Clube pode voltar a ser alvo de outra decisão judicial ainda neste ano, mas o Conselho Gestor e o departamento jurídico tricolor trabalham para solucionar a dívida de R$ 35 milhões com o Banco Central (Bacen), que motivou os dois pregões.

Em nota divulgada em seu site oficial, o Paraná afirmou que um novo leilão poderá acontecer entre julho e agosto deste ano, mas que o clube buscará aderir a uma “transação tributária”. O Tricolor menciona a Lei nº 13.988, de 14 de abril de 2020, que dá diversos benefícios aos débitos durante o processo de negociação.

“(…) segundo o perfil do contribuinte, como conceder parcelamentos de até 84 prestações mensais, descontos de até 50% da dívida, diferimento ou moratória no pagamento, flexibilização das regras de aceitação, avaliação, substituição e liberação de garantias, utilização de créditos líquidos e certos do contribuinte em desfavor da União e de precatórios próprios ou de terceiros para amortização do saldo devedor, escalonamento nas prestações do parcelamento e flexibilização das regras para penhora ou alienação de bens”, diz a nota.

Todavia, essa lei em questão não permite incluir dívidas com o Bacen, prossegue o comunicado paranista. Por isso, o clube acompanha de perto e trabalha nos bastidores em favor da aprovação de um projeto de lei (PL) – o 4728/2020 –, que “permite a transação para pagamento de dívidas administradas pelo Bacen e oferecerá mais vantagens para liquidação da dívida, como 120 prestações e até 70% de desconto desde que não entre no valor principal da dívida”.

“Os advogados do Paraná Clube estiveram em reunião na Secretaria Nacional de Futebol e Defesa dos Direitos do Torcedor, e foi apresentado um projeto de edição de Medida Provisória (MP) para permitir a inclusão das dívidas administradas com o Bacen na transação da Lei nº 13.988/2022, caso o PL 4728/2020 não seja aprovado até julho de 2022. Na ocasião, o senhor secretário Ronaldo Lima dos Santos manifestou-se favorável ao pleito, o qual será encaminhado à Casa Civil da Presidência da República”, concluiu a nota, assinada pelo presidente Rubens Ferreira, o Rubão, e pelo Jurídico paranista.

Entenda o caso

Os leilões atendiam a uma decisão da 15ª Vara Federal de Curitiba, em favor de uma execução fiscal solicitada pelo Bacen. De acordo com o processo número 5001726-96.2015.4.04.7000, o leilão do “Lote De Esquina – 66,79m E 66,80m – ÁGUA VERDE” visa o pagamento de uma dívida de R$ 35.103.796,14.

O débito envolve a transferência internacionais de jogadores entre o fim dos anos 1990 e o início dos anos 2000, com conversões irregulares de valores. Duas delas chamam a atenção no processo: a venda do meia Ricardinho ao Bordeaux, e do atacante Ilan para o Souchaux – ambas equipes da França. A disputa do Bacen com o Tricolor começou em 2003, quando a instituição pedia o pagamento de US$ 3,9 milhões (pouco mais de R$ 11 milhões na época).

O caso vem se arrastando há anos e um primeiro leilão foi marcado em 2019, porém a Justiça suspendeu o pregão para uma nova rodada de negociações. Um outro leilão foi marcado no ano passado, mas o Paraná recorreu e segue alegando que a sede da Kennedy não poderia ser leiloada, pois é fruto de uma doação – a Prefeitura de Curitiba doou a área ao EC Água Verde, que depois virou o Pinheiros, que por sua vez deu origem ao Paraná ao se fundir com o Colorado, em 1989.

O lance inicial para o primeiro pregão foi de R$ 62.399.975,00 – R$ 50.345.102,00 referente ao valor do lote de terreno urbano; e R$ 12.054.873,00 como valor estimado das benfeitorias. Sem ofertas, um segundo foi marcado com desconto de 40% – com lance mínimo de R$ 37,4 milhões –, porém novamente não houve interessados.

Durival Britto e Silva também em pauta

Em outra frente, o Paraná trabalha para resolver outra pendência judicial com a União, envolvendo o uso da Vila Capanema pelos próximos 30 anos.

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