Carlos Dias. (Geraldo Bubniak/AGB)

Um dos principais jogadores do Paraná Clube e, sem dúvidas, a grande revelação do Tricolor nos últimos anos, o volante Carlos Dias já é realidade dentro do clube. Foram apenas sete jogos disputados pela equipe profissional e a condição de titular absoluto do time comandado pelo técnico Allan Aal conquistada rapidamente. Certamente a disposição, o excesso de vontade e raça demonstrada pelo camisa 5 até agora façam sentido quando o jogador olha para trás e percebe o quanto foi difícil chegar até nessa condição em que está hoje.

Pelo caminho, muitos obstáculos. Chegou a ser dispensado na sua primeira passagem pelo clube. Retornou e logo ganhou seu espaço. No entanto, precisou vencer uma depressão em um dos períodos mais complicados da sua carreira e passou por duas cirurgias no joelho quando tinha ainda 17 anos. Segundo sua mãe, a pedagoga Adriane Oliveira, foi um período complicado, mas que foi superado com a união da família e pela vontade do camisa 5 paranista.

“O Carlos chegou no Paraná em 2013, passou um mês e pouco e depois dispensaram ele. No final daquele ano, ligaram para ele retornar. Ele voltou em novembro, ficou e não saiu mais. Foi uma época difícil. Criei meus filhos sozinha. Vim com o Carlos e o irmão dele para cá. Larguei tudo o que tinha pelo sonho dele. Depois que foi dispensado ele quase entrou em depressão. Pessoas diziam para ele desistir e ele queria largar os estudos na época também. Mas conversando com ele, ele não desistiu. Sabíamos do potencial dele e ele foi querendo levantar a cabeça. Chamaram ele e deu tudo certo, apesar das dificuldades, muitas despesas que tivemos. Por isso, hoje em dia, ele é esse menino humilde e simples que todos conhecem”, afirmou a mãe de Carlos Dias, em entrevista exclusiva à Banda B.

Toda a família de Carlos Dias é de Rio Negro. A mudança na rotina foi grande para o jogador, sua mãe e seu irmão. No entanto, recompensadora segundo Adriane ao ver, atualmente, o camisa 5 paranista começar a se notabilizar no cenário do futebol e a realizar um sonho idealizado há alguns anos.

“É uma conquista. Uma vitória por tudo o que passamos. Estou muito orgulhosa dele, pelo potencial dele, apesar das dificuldades, das duas cirurgias que quase fizeram ele desistir. Eu sinceramente estou boba. O sonho dele sempre foi chegar ao time profissional e dar o melhor dele para atingir todos os objetivos”, contou.

Claro que o volante Carlos Dias está ainda no início da sua trajetória no time profissional do Paraná. As recentes boas atuações renderam uma renovação de contrato até dezembro do ano que vem. O jogador, em entrevista à Banda B, reconhece o esforço e dedica esse grande momento na carreira a sua mãe.

“Minha mãe significa muito na minha vida. Ela batalhou muito para dar o melhor suporte para mim. Para eu ir treinar, quando não tinha dinheiro, ela estava lá trabalhando para eu ir treinar. A cada jogo, a cada partida que eu faço, é pensando nela para dar o melhor para ela”, afirmou Carlos Dias.

Começo

O começo da carreira do volante Carlos Dias aconteceu em Rio Negro, no Unidos da Bola, com apenas 5 anos. Os treinamentos eram comandados pelo técnico Jair Alves. Até hoje o treinador mantém contato com o camisa 5 do Tricolor, lembra com carinho do atleta e afirmou que está muito contente em poder ver a realização do sonho do jogador.

“Desde pequeno ele foi um menino muito comportado. Tudo que a gente pedia ele fazia e muito bem feito. Se empenhava, era forte, um menino educado. Está sendo uma alegria ver o crescimento dele no futebol e por ter uma participação nisso. Espero que Deus continue iluminando o caminho dele e acredito que o Carlos vai chegar em outros grandes clubes e vai dar e contribuir muito ao Paraná Clube”, disse Alves.

No Paraná Clube, seu primeiro treinador foi Oldemar Kramer Neto, ainda no time Sub-15 B do Tricolor. O técnico lembrou do perfil de liderança que Carlos Dias sempre demonstrou em campo e também pela dedicação que teve durante os treinamentos.

“Ele logo virou capitão devido a esse perfil dele. Sempre foi guerreiro em campo e hoje em dia é difícil encontrar atletas completos como ele, que ao mesmo tempo que marcam bem, conseguem armar bem as jogadas. Sempre foi muito responsável e os outros meninos sempre acabavam acatando o que ele falava, mas ele nunca extrapolou. Sempre foi dedicado nos treinos, o primeiro a chegar e o último a sair. O Carlos vai chegar aonde ele quiser. É um atleta moderno, que defende e ataca com a mesma intensidade. E essa fase que ele está vivendo não traz surpresa alguma para mim”, acrescentou Neto.

Sonho

Além de dar uma condição melhor para a sua mãe, Carlos Dias celebrou o bom momento que está vivendo com a camisa do Paraná Clube. Além disso, afirmou que seu sonho é ajudar o Tricolor, seu clube do coração, a conseguir o acesso à primeira divisão do ano que vem.

“Estou vivendo esse bom momento. Trabalhei muito para isso. Sonhava em chegar ao time profissional, ainda mais de um clube grande como o Paraná. Outor sonho é fazer um gol pelo Tricolor, mas principalmente conseguir subir para a Série A. Claro que tenho também o sonho de chegar à Seleção Brasileira e também jogar no futebol europeu”, comentou.

Sonho também que é compartilhado com a sua mãe. Adriane Oliveira contou ainda um pouco da rotina e da personalidade do volante Carlos Dias no dia a dia. O camisa 5 nunca escondeu a vontade de dar sempre o melhor e recompensar todo o esforço da sua mãe em toda a sua carreira.

“Ele sempre comenta comigo que quer dar o melhor para mim pela luta que tive para tudo dar certo. Espero que ele consiga conquistar o objetivo dele, crescer, ter alguma coisa em função de si mesmo. Em casa é um menino espetacular. Tudo bem que não gosta de lavar a louça, mas se dedica bastante, se preocupa com as despesas de casa, já que pagamos aluguel. O que ele tem divide com as pessoas, sem se importar se vai faltar algo. Ele é uma pessoa maravilhosa, com humildade no coração”, finalizou.