A quinta-feira (21) terminou bastante agitada no Coritiba. E não foi por nenhuma questão que envolvesse o clube. Mas, indiretamente, sobrou para o Coxa. Por conta dos problemas envolvendo a transferência de Pepê do Grêmio para o Porto, em 2021, o Foz do Iguaçu está processando o time gaúcho. CEO do tricolor à época e hoje CEO alviverde, Carlos Amodeo foi duramente atacado pelo presidente do time da fronteira, Arif Osman, em entrevista à rádio Grenal, de Porto Alegre.
Arif acusa o Grêmio de ter tentado passar o Foz para trás. Quando Pepê foi vendido para o Porto por quase R$ 99 milhões, o clube paranaense esperava o pagamento de 30% do valor (cerca de R$ 30 mi), como estava em contrato. Mas a diretoria gremista, liderada pelo presidente Romildo Bolzan e por Carlos Amodeo (hoje no Coritiba), não só não pagou como disse que o valor é bem menor. Por isso, o Foz do Iguaçu entrou com um processo na Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) da CBF.
Após o Grêmio ter pago ao Cascavel o valor devido pela negociação de Bitello para o Dínamo de Moscou, atrasado desde setembro e com total de R$ 15 milhões, Arif Osman voltou à carga. “O Grêmio é caloteiro. Se aproveita de um clube pequeno como o Foz. Mas custe o que custar. Vou levar até a Fifa. O Grêmio vai pagar ou não joga a Libertadores“, disse, em entrevista ao jornal Correio do Povo. “Tentaram oferecer umas migalhas, R$ 5 milhões e ainda divididos em 12 vezes. Mas a CNRD já determinou que nos paguem na integra os 30%”, completou o dirigente.
E o CEO do Coritiba?
Na entrevista à rádio Grenal, o presidente do Foz do Iguaçu decidiu aumentar o tom dos ataques. “O Grêmio tentou passar a rasteira no Foz nos contratos. Eu tive que devolver doze vezes os contratos, na época da venda, para que esse Amodeo, a mando do presidente Romildo (Bolzan), fizesse as alterações. Em doze tentativas, tentaram nos enganar quanto aos mecanismos de solidariedade, direito de formação e mais-valia“, disse o cartola, citando nominalmente o CEO do Coritiba.
E Arif Osman foi ainda mais longe. “A administração passada do Grêmio, inclusive o senhor Amodeo, fazem parte da mesma gangue desses empresários. Quem manda no Grêmio não é o Grêmio, quem manda no Grêmio são os empresários que botam jogadores lá. O Grêmio está defendendo esses empresários, continuem defendendo, vão se afundar. A lei do futebol vai ser cumprida”, disse o presidente do Foz. Os empresários citados pelo dirigente foram Giuliano Bertolucci e Adriano Spadoto.
A posição de Amodeo
Carlos Amodeo falou com a imprensa gaúcha e enviou uma nota, assinada por seu advogado Jeffrey Chiquini, para o jornalista Rogério Scarione. No texto do advogado, o homem forte do Coritiba diz que na época do Grêmio “decidiu aguardar a resolução da questão pela Câmara Nacional de Resolução de Disputa da Confederação Brasileira de Football, evitando pagamentos irregulares e demandas judiciais futuras”.
Para a rádio Grenal, o CEO foi mais agressivo. “A entrevista do presidente Arif Osman é catastrófica, irresponsável e criminosa. Basta olhar as reputações dos membros do conselho de gestão do Grêmio e a minha, e comparar com a reputação dele na cidade. Ele terá que comprovar judicialmente as acusações“, atacou Carlos Amodeo. “O Grêmio agiu de maneira correta neste processo. Não precisa confiar em mim, basta olhar os documentos. Eles mostrarão quem estará certo”, finalizou.
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