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Após a nona colocação da Seleção Brasileira de Basquete nas Olimpíadas de Los Angeles, em 1984, o jovem Oscar Schmidt, com então 26 anos, tomaria uma decisão que para os padrões de hoje parece impensável: recusou um convite da maior liga de basquete do mundo, a NBA. Naquele ano, o ‘Mão Santa’ foi ‘draftado’ pelo Brooklin Nets, de Nova Iorque, mas não aceitou o convite, pois naquela época a liga americana proibia que seus atletas disputassem torneios internacionais com os selecionados de seus países. Oscar escolheu a Seleção Brasileira, decisão que ele considera até hoje como ‘a decisão mais fácil de sua vida’.

“Eu treinei muito para ser o melhor, mas não fui. Fiz mais pontos que o Kareem Abdul Jabar, por exemplo, mas os que ele marcou são mais importantes que os meus, porque jogou numa liga do tamanho da NBA. A decisão de não ir para os Estados Unidos foi a escolha mais fácil que eu fiz na vida. A NBA é um campeonato de clubes, e a seleção é a seleção brasileira. Eles só queriam me testar, não sei se teria futuro lá. Me ofereceram um contrato, mas eu recusei prontamente. Três anos depois, nós, com a seleção, tivemos aquela vitória que mudou a história do basquete”, relembrou Oscar, em entrevista exclusiva à Rádio Banda B, durante o programa Balanço Esportivo.

Jogos Panamericanos de Indianápolis

‘Aquela vitória’ a qual o ex-jogador cita trata-se da partida que deu a medalha de ouro à Seleção Brasileira nos Jogos Panamericanos de 1987, em Indianápolis, vitória histórica contra o selecionado americano, por 120 a 115. O sucesso brasileiro naquele 23 de agosto simplesmente tirou a invencibilidade do basquete dos Estados Unidos em seu território: o ‘Dream Team’ jamais havia perdido uma partida em solo norte-americano.

“Foi um negócio de outro tamanho. Tivemos um campeonato incrível, mas não era para termos ganhado. O time dos Estados Unidos era quase imbatível, mas felizmente ganhamos e tenho muito orgulho daquela vitória”, admite Schimdt. “Uma lembrança muito forte daquela medalha, que eu guardo até hoje com muito carinho, foi uma ida nossa a um shopping americano e as pessoas começaram a sair das lojas para nos aplaudir. Foi maravilhoso”.

Carreira

Após recusar a NBA, Oscar faria uma bem-sucedida carreira no basquete europeu entre os anos de 1982 e 1995, com passagens pelos clubes italianos Juvecaserta e Pavia, além de disputar uma temporada pelo clube espanhol Forum Valladolid. O ex-atleta classifica sua ida para a Itália como um passo fundamental para sua evolução dentro e fora das quadras.

“Fui para Europa recém-casado e voltei de lá com dois filhos falando quatro línguas, além de me tornar um jogador de basquete muito melhor. O campeonato da Itália era o mais forte do continente na época. Todos os jogos eram difíceis e ajudei muito a Seleção Brasileira com o que eu aprendi no basquete europeu”, analisou.

‘Mão Santa’

Mesmo tendo colocado seu nome na história do basquete brasileiro, Oscar, que encerrou a carreira em 2003, no Flamengo, rejeita o apelido de ‘Mão Santa’.

Segundo ele, trata-se de uma alcunha ‘injusta’. “Minha mão não tinha nada de santa. Era muito treino, isso sim. Sempre treinei muito duro, desde os treze anos. Seria muito mais justo ser chamada de ‘mão treinada'”, comenta com bom humor.

Basquete brasileiro

Sobre o futuro do basquete nacional, Oscar se diz otimista, mesmo com a eliminação da seleção feminina, que não conseguiu uma classificação para os Jogos de Tóquio, no ano que vem. “Não fomos para a Olimpíada por um jogo, mas eu tenho uma enorme confiança. O presidente da confederação [Guy Peixoto] é um cara que jogou muito e agora está mandando no esporte. Eu acredito que teremos muita gente se esforçando pelo basquete brasileiro nos próximos anos. A massificação do esporte deve começar a partir das federações estaduais, que precisam buscar jovens talentos, seja nas escolas e até mesmo nas comunidades mais carentes. Tenho certeza que esse é o caminho para o futuro do nosso jogo”, completou.