Alan Ruschel. (Márcio Cunha/Chapecoense)
Um dia depois de ser anunciado como um dos novos reforços do Goiás para a sequência do Campeonato Brasileiro e da Copa Verde, Alan Ruschel analisou a transferência, em contato com a imprensa no CT da Água Amarela, em Chapecó (SC). O lateral, porém, ainda tem contrato com a Chapecoense até o final da próxima temporada.

“Um desafio que tinha na minha vida era voltar a jogar em alto nível. Graças a Deus, eu retomei isso, que era o mais importante Agora é um novo desafio que eu busquei, acho que primeiro para provar para mim mesmo que não dependo da piedade de ninguém, e mostrar para o Brasil que muitos não enxergam e pensam que estou na Chapecoense por favor do clube. Acho que só quem está aqui sabe que não é”, disse o jogador, em uma conversa com os jornalistas na saída do CT da Chapecoense.

Alan Ruschel foi um dos seis sobreviventes da tragédia de 2016, quando o avião que transportava elenco, comissão técnica e diretoria do clube catarinense e profissionais da imprensa caiu em Medellín, na Colômbia, durante a viagem para a decisão da sul-americana.

O jogador de 29 anos ainda lembrou que o técnico da equipe goiana, Ney Franco, passou pela Chapecoense neste ano e indicou a sua contratação à diretoria esmeraldina.

“Me dediquei para voltar. Minha ida para o Goiás é para mostrar para o Brasil que voltei a jogar em alto nível. Tanto que o treinador lá passou aqui e viu que eu posso ajudar”, destacou.

Em tom de desabafo, o Alan Ruschel destacou os bons momentos vestindo as cores da Chapecoense, falou sobre a tragédia com o Voo 2933 da LaMia, em 29 de novembro de 2016, e afirmou que se desdobrou para poder voltar a atuar profissionalmente.

“Difícil sair, fiz jogos importante pelo clube. Ajudei o clube a subir para a Série A do Brasileiro, tive participação na Sul-Americana, fui campeão, estive junto na tragédia aérea. Momento difícil, mas primeiro para provar para mim que posso e que consegui”, contou.

“Infelizmente, para algumas pessoas, as coisas tomam uma outra proporção. Minha ida para lá é para calar a boca de alguns que falam bobagem, falam coisas que não devem. Se algum momento incomodei alguém aqui, não foi por não trabalhar. Pelo contrário, saio de cabeça erguida por ter feito meu melhor aqui dentro”, completou.

As duas equipes estão em situação delicada na tabela de classificação do Campeonato Brasileiro. A Chapecoense abre a zona de rebaixamento, com 13 pontos em 15 rodadas, enquanto o Goiás é 12º, com 18. Nas quartas de final da Copa Verde, competição organizada pela CBF que oferece uma vaga às oitavas de final da próxima Copa do Brasil, os goianos vão encarar o Luverdense-MT.