O cartão de crédito continua como o principal responsável pelas dívidas dos brasileiros inadimplentes, segundo levantamento divulgado pela Serasa. Dados mais recentes, referentes a fevereiro de 2026, mostram que o Brasil atingiu a marca de 81,7 milhões de pessoas com contas em atraso.

Mulher pagando compra com cartão de crédito; modelo é o maior causador de dívidas entre brasileiros.
Segundo a Serasa, o cartão de crédito é o maior causador de dívidas entre brasileiros desde 2016. Foto: Ilustração/Canva

Ao todo, são mais de 332 milhões de dívidas, um aumento de 43% em relação a 2016.

Além disso, a dívida média por consumidor também cresceu. Considerando valores corrigidos pela inflação, o valor passou de R$ 5.880,02 para R$ 6.598,13 ao longo da última década, uma alta de 12,2%.

Cartão de crédito lidera dívidas de brasileiros inadimplentes

Segundo a Serasa, o cartão de crédito é a principal origem das dívidas que levam à inadimplência no país desde 2016. Entre as fontes das dívidas, a maioria (47,1%) têm origem em bancos, seguida por telefonia, contas básicas, varejo e serviços.

De acordo com a especialista em educação financeira da Serasa, Aline Vieira, o avanço da inadimplência está ligado a uma combinação de fatores.

“O período foi marcado por juros elevados e pressão inflacionária, que impactaram diretamente o orçamento das famílias. Ao mesmo tempo, houve ampliação do acesso ao crédito, muitas vezes sem o devido planejamento.”

explica.

Perfil dos inadimplentes mudou

O estudo também aponta mudanças no perfil dos brasileiros endividados. Um dos destaques é o crescimento da inadimplência entre pessoas com mais de 60 anos. Em 2016, esse grupo representava pouco mais de 12% dos inadimplentes. Dez anos depois, a participação passou para mais de 19%.

Outro ponto é a mudança de gênero. Atualmente, as mulheres passaram a ser maioria entre os inadimplentes, representando 50,5% do total.

Um dado que chama atenção é a reincidência. Segundo o levantamento, quatro em cada dez brasileiros inadimplentes hoje já estavam com o nome negativado há dez anos. Isso representa cerca de 34 milhões de pessoas.

“Negociar as dívidas é fundamental, mas é preciso organização para evitar que o consumidor volte à inadimplência”, afirma Aline.

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