Servidores da Saúde se uniram a algumas famílias de deficientes em uma manifestação na manhã desta segunda-feira (20), em Curitiba. Entre os principais motivos estão a possível mudança de sede do Centro Regional de Atendimento Integrado ao Deficiente (CRAID) e outros problemas denunciados pelos servidores, como o pedido de reforço nas estruturas já existentes.

Foto: Djalma Malaquias/Banda B.

A notícia da mudança de prédio do CRAID, gerou revolta nos servidores e em pais de deficientes. Atualmente  o espaço fica na Rua do Rosário, no São Francisco, e que passaria para o bairro Cabral, em Curitiba. 

Amanda Galerani Thomaz, secretária geral do SindSaúde, sindicato que representa os trabalhadores da saúde do Paraná, disse que todos estão preocupados “com o desmonte que o CRAID vem sofrendo”.

“Faz dois anos, desde que foi assumido pelo Complexo do Hospital do Trabalhador, que muitas mudanças ocorreram. Funcionários saíram, diminuíram o público atendido, a faixa etária, não são mais atendidos adolescentes até 18 e sim até 12. Agora por último está agendada uma mudança de espaço físico, vai para o Cabral e vai ficar difícil o acesso”. 

explica Amanda Galerani Thomaz, secretária geral do SindSaúde

Segundo Amanda, a equipe tem experiência com as pessoas com acessibilidade e deficiência. Foi feita uma avaliação do prédio novo e os servidores avaliaram que seria bem mais difícil o atendimento por lá.

“Tem algumas situações que são difíceis, complicadas, por exemplo: muitas salas de atendimento não têm janelas, colocando as pessoas em risco com ar condicionado girando aquele ar. Com ou sem pandemia tem épocas que são difíceis”. 

conta Amanda Galerani Thomaz, secretária geral do SindSaúde

Segundo o SindSaúde, o prédio atual do CRAID passou por manutenção e reforma recente. 

“Foi adaptado, tem condições de suportar o equipamento. A demanda só aumenta e o que eles têm feito é o contrário. No espaço onde hoje é o CRAID, provavelmente será instalado uma estrutura administrativa que tem condição de se deslocar para outro local. Agora as crianças que têm necessidades especiais precisam de um local especial”. 

defende Amanda Galerani Thomaz, secretária geral do SindSaúde
Foto: Djalma Malaquias/Banda B.

Preocupação dos funcionários

Julia Costa Rosa, funcionária do CRAID, disse que a preocupação é com os pacientes. Com espaço reduzido, atenderão menos gente, com mais filas de espera.

“A primeira preocupação são os pacientes, porque é um espaço reduzido, salas pequenas, sem janelas. É difícil manobrar cadeiras de rodas. Temos muito material e não temos nem armário para guardar os materiais. Estamos inseguros com isso porque nossa qualidade de atendimento vai cair muito com a estrutura”. 

disse Julia Costa Rosa, funcionária do CRAID

Outra preocupação dos funcionários é sobre o acesso ao novo prédio, com o deslocamento afastado da região central. Isso por conta da facilidade que é hoje a atual sede do CRAID. 

“Como aqui é um prédio central, vem muita gente da Região Metropolitana de Curitiba. Esses pacientes vão ter que ir até o Cabral, pegar mais ônibus. Aqui temos um espaço adaptado, grande e amplo, com materiais que não conseguiremos levar até lá. Nosso transporte fica comprometido também, mas temos mais possibilidade de deslocamento, já os pacientes não”. 

disse Julia Costa Rosa, funcionária do CRAID
Foto: Djalma Malaquias/Banda B.

Mães reclamam

Além dos servidores, duas mães de deficientes que utilizam os serviços do CRAID estavam na Rua do Rosário para a manifestação. Ambas são unânimes demonstrar desgosto pela mudança de prédio. Além disso, também denunciam o descaso que o serviço vem sofrendo.

“A gente está sem neurologista, estão dispensando todo o serviço do CRAID. A gente tem que correr procurar em outros lugares, mas é difícil porque os hospitais dão prioridade para quem já é paciente. Para se inserir nos sistemas é complicado, demora. A farmácia vivem dizendo que vai mudar de endereço. Precisamos que centralizem os médicos também como era aqui”. 

disse Gisele Ribeiro, que tem um filho de 16 anos que usa o CRAID

Franciele Gomes de Oliveira, que tem um filho de 8 anos que faz tratamento e acompanhamento no CRAID, viaja aproximadamente 30 quilômetros todos os dias. Para ela, mudar de endereço é dificultar o serviço.

“Moro na Fazenda Rio Grande, do outro lado da cidade. Vou ter que deslocar a cidade toda para ir até o Cabral. Aqui na região central tem integração, é mais próximo, não tem porquê mudar”. 

disse Franciele Gomes de Oliveira, mãe de um menino de 8 anos que usa o CRAID

O sindicato afirmou que encaminhou um documento detalhado à Sesa defendendo que o endereço não seja trocado. O SindSaúde também disse ter encaminhado ao Conselho Estadual dos Direitos das Crianças e Adolescentes (CEDCA) e que, na semana passada, o assunto foi pauta do SindSaúde.

Melhoria no atendimento, diz Sesa

Em nota, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), disse que, dentro da proposta de regionalização dos serviços, tem investido em melhorias e aperfeiçoamentos em todas as unidades próprias do Governo do Estado, visando um aumento na qualidade e segurança dos paranaenses.

Segundo a Sesa, o CRAID, que faz parte das unidades vinculadas ao Complexo Hospitalar do Trabalhador (CHT), transferirá os atendimentos para um imóvel anexo ao Hospital de Reabilitação Ana Carolina Moura Xavier, que também faz parte do CHT.

“A mudança deve ocorrer durante os próximos 30 dias e permitirá a melhoria na acessibilidade e em toda a estrutura, a unificação de espaços e aumento na qualidade da assistência prestada durante as terapias e demais atendimentos. Assim que a transferência for efetivada, a unidade abrirá novas agendas para atendimento dentro de toda a Rede do Sistema Único de Saúde (SUS) Estadual e municipal”.

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