Mulheres de diversas cidades brasileiras irão às ruas neste domingo (7) para denunciar o aumento do número de casos de feminicídio e protestar contra todas as formas de violência que violam o direito das mulheres a viver com liberdade, respeito e segurança. Em Curitiba o ato acontece na Praça João Cândido, no Largo da Ordem, no centro da capital.

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Foto: Antônio Nascimento/ Banda B

Mobilizadas por coletivos, movimentos sociais e organizações feministas, as manifestações têm o objetivo de romper o silêncio, exigir justiça e afirmar que a sociedade não aceitará mais a impunidade.

Danda Coelho, professora universitária, ressalta que a educação é essencial.

“A grande importância é a educação, nós precisamos educar uma sociedade para um mundo de igualdade, enquanto não tivermos educação e consciência, não vamos conseguir o mundo que sonhamos para nossos filhos e netos. Não queremos enaltecer mulheres, queremos igualdade”.

Alessandra Ramos, terapeuta, conta que já passou por um relacionamento abusivo.

“Eu tive que fugir do estado em 2018 para poder estar viva hoje, foi quando eu me conscientizei que vivia em um relacionamento abusivo, até então eu não sabia exatamente o que era, sabia que era ruim, mas ele fazia com que eu me sentia culpada por estar sendo agredida”. 

“Basta de feminicídio. Queremos as mulheres vivas” é o lema das manifestantes. 

Veja fotos do movimento na capital:

A mobilização nacional foi convocada após uma onda de feminicídios recentes que abalaram o país. 

Na sexta-feira (5), foi encontrado, em Brasília, o corpo carbonizado da cabo do Exército Maria de Lourdes Freire Matos, 25 anos. O crime está sendo investigada como feminicídio, após o soldado Kelvin Barros da Silva, 21 anos, ter confessado a autoria do assassinato. Ele está preso no Batalhão da Polícia do Exército.

No final de novembro, Tainara Souza Santos teve as pernas mutiladas após ser atropelada e arrastada por cerca de um quilômetro, enquanto ainda estava presa embaixo do veículo. O motorista, Douglas Alves da Silva, foi preso por tentativa de feminicídio. 

Na mesma semana, duas funcionárias do Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet-RJ), no Rio de Janeiro, foram mortas a tiros por um funcionário da instituição de ensino que se matou em seguida.

Cerca de 3,7 milhões de mulheres brasileiras viveram um ou mais episódios de violência doméstica nos últimos 12 meses, segundo o Mapa Nacional da Violência de Gênero. 

Em 2024, 1.459 mulheres foram vítimas de feminicídios. Em média, cerca de quatro mulheres foram assassinadas por dia em 2024  em razão do gênero, em contextos de violência doméstica, familiar ou por menosprezo e discriminação  relacionados à condição do sexo feminino. 

Em 2025, Brasil já registrou mais de 1.180 feminicídios e quase 3 mil atendimentos diários pelo Ligue 180, segundo o Ministério das Mulheres. 

O ato também acontece em outras cidades do país:

  • São Paulo (SP): 14h, vão do Masp
  • Campo Grande (MS): 13h (horário local), Av. Afonso Pena (em frente ao Aquário do Pantanal)
  • Manaus (AM): 17h, Largo São Sebastião
  • Rio de Janeiro (RJ):  12h, Posto 5 – Copacabana
  • Belo Horizonte (MG): 11h, Praça Raul Soares
  • Brasília (DF) e Entorno: 10h, Feira da Torre de TV
  • São Luís (MA): 9h, Praça da Igreja do Carmo (Feirinha)
  • Teresina (PI): 17h, Praça Pedro II