A 2ª Vara do Tribunal do Júri de Curitiba determinou que os dois motoristas envolvidos no suposto racha que matou a estudante Caroline Beatriz Olímpio, de 19 anos, vão a júri popular.
A decisão de pronúncia foi divulgada pelo juiz Daniel Surdi Avelar, na última sexta-feira (11). Caroline foi atropelada na Rua Pedro Viriato Parigot de Souza, no bairro Campo Comprido, em 12 de março de 2020.
De acordo com a denúncia do Ministério Público do Paraná (MP-PR), Ferrnando Rocha Fabiane e Nicholas Henrique Castro empreenderam ambos alta velocidade,
“ultrapassando outros carros e realizado manobras bruscas de trocas de faixas, um instigando o outro a acelerar cada vez mais a fim de vencer a disputa, passando a empreender velocidade totalmente incompatível com àquela via pública onde a máxima permitida limita-se aos 60 km/h.”
No júri popular, os dois motoristas devem responder ao crime de homicídio simples. A qualificadora de perigo comum foi afastada.
Para o advogado da família de Caroline e assistente de acusação no processo, Jeffrey Chiquini, a decisão da Vara do Tribunal do Júri é acertada. “Aguardaremos ansiosamente a realização do Tribunal do Júri, onde a Justiça será integralmente feita e a lei será aplicada. Há nesse caso prova vasta da culpa dos acusados e, em defesa de Caroline, lutarei para que a justiça seja concretizada”, disse.
Defesas
Em nota, a defesa de Fernando Rocha Fabiani que a decisão de pronúncia foi acertada em absolver sumariamente o acusado de todos os delitos de trânsito inicialmente imputados e em afastar a qualificadora do homicídio. Com relação a pronúncia pelo homicídio simples, informa que irá recorrer ao Tribunal de Justiça do Estado do Paraná para demonstrar que não houve dolo na conduta de Fernando”, disse a advogada Thaise Mattar Assad.
O advogado de Nicholas Henrique Castro, Adriano Bretas, destacou à Banda B que a denúncia do MP-PR foi “desidratada”.
“Essa decisão não atribui culpa ou inocência a quem quer que seja e julgou a denúncia inadmissível com relação a várias imputações conexas. A acusação foi devastada e agora o juiz determinou que o caso fosse encaminhado para o juízo natural, mas por uma acusação bem menos grave”,
explicou.
Bretas afirma que Nicholas foi um “mero expectador” do acidente. “Ele não atropelou ninguém, não se envolveu na colisão e foi um terceiro que testemunhou, alheio a tudo aquilo”, concluiu.
O caso
O atropelamento aconteceu, por volta das 9h30 de 12 de março de 2020, em frente ao campus Ecoville, da Universidade Positivo, em Curitiba.
As primeiras informações de testemunhas apontam que dois motoristas estariam apostando um racha, quando um deles, Fernando Fabiani, que estava num UP TSI, acertou a menina que voltava da faculdade, após a tentativa de tirar um xerox.
Caroline morreu na hora. Ela estudava no campus da UTFPR, que fica próximo.
