A morte de Arlete Caramês Tiburtius, aos 83 anos, continua repercutindo e agora revela bastidores pouco conhecidos da luta que mudou a história das investigações de crianças desaparecidas no Paraná. Se hoje há estrutura, respostas e operações especializadas, muito disso começou com a insistência de uma mãe que se recusou a aceitar o silêncio.

A sargento Tânia Guerreiro, atual vereadora de Curitiba pelo Podemos, que atuou ao lado de Arlete, trouxe à tona detalhes da atuação intensa da mãe de Guilherme, desaparecido em 1991. Em entrevista ao documentário Arlete: o legado de Guilherme, de estudantes da Universidade Positivo, no ano passado, ela contou um pouco dos bastidores.
“Em 1991, foi um caso de muita repercussão na época, e até hoje ainda é. Foi o desaparecimento de uma criança. Naquele momento, graças também ao ativismo e à luta da mãe do Guilherme — de toda a família, mas principalmente da figura da mãe —, houve um grande empenho. Ela trabalhou muito, foi uma ativista muito forte nessa seara e auxiliou bastante nas investigações. Foi graças a ela também, ao esforço e à luta que teve junto às autoridades da época aqui do estado do Paraná, que se entendeu como necessária a criação dessa delegacia de polícia”.
relatou Tânia Guerreiro
Segundo Tânia, a atuação de Arlete ultrapassou protestos e mobilizações. Ela inclusive participou diretamente de ações investigativas e chegou a ir além das fronteiras brasileiras.
“Nós estivemos com Arlete em Assunção, no Paraguai, infiltrados dentro da Polícia Nacional de lá, para verificar o número de crianças que saíam daqui, já que a fronteira é seca e é fácil sair via Paraguai. Fizemos um pedido ao governo do estado, por meio da Assembleia Legislativa, para que se criasse um serviço de investigação desses casos…”
contou.
A pressão, enfim, surtiu efeito. A mobilização, liderada por Arlete, contribuiu, por fim, para a criação de um serviço que se tornaria referência.
“E foi criado o serviço de investigação de crianças desaparecidas. Ele funciona até hoje e funciona muito bem. Desde 2018, temos números positivos: não houve nenhum caso sem resposta, ou seja, nenhum desaparecimento permaneceu sem solução…”
destacou a sargento.
Sargento Tânia Guerreiro se despede de Arlete
Em uma despedida emocionada, contudo, Tânia resumiu o impacto da trajetória da amiga. “Hoje me despeço de uma mulher que não foi apenas uma referência na luta pelas crianças desaparecidas… foi uma companheira de caminhada”.
“Arlete Caramês transformou a pior dor que uma mãe pode sentir em propósito de vida. Após o desaparecimento do seu filho Guilherme, dedicou cada dia da sua história a lutar por outras famílias, a dar voz a quem sofre em silêncio e a não deixar que essas histórias fossem esquecidas”
publicou Tãnia.
Morte de Arlete mãe do Guilherme
Arlete Caramês Tiburtius, aos 82 anos, estava internada em um hospital da capital e não resistiu. A Banda B confirmou a morte com a Câmara Municipal de Curitiba (CMC), onde ela foi vereadora. Ainda não há informações sobre velório e sepultamento.
📲 Não perca nenhuma notícia! Siga o Instagram da Banda B e receba as atualizações direto no seu feed. Clique aqui!