Se hoje o trabalho é intenso nas buscas por pessoas desaparecidas no Paraná, é também por causa da história de uma mãe que nunca desistiu. Mas ela ficou sem respostas. Morreu em Curitiba, nesta terça-feira (24), Arlete Caramês Tiburtius, aos 82 anos, que passou mais de três décadas procurando pelo filho, Guilherme, desaparecido ainda criança. Ela estava internada em um hospital da capital e não resistiu.

A reportagem da Banda B confirmou a morte de Arlete com a Câmara Municipal de Curitiba (CMC), onde a mãe de Guilherme atuou como vereadora de 2001 a 2003.
A dor de Arlete começou em 17 de junho de 1991, quando o filho, de apenas 8 anos, desapareceu após sair de casa para dar uma volta de bicicleta. Guilherme Caramês Tiburtius nunca mais foi visto.
Desde então, a mãe transformou o luto em luta e mobilizou autoridades e a sociedade. Sua trajetória ajudou a impulsionar a criação do Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas (Sicride), formalizado em 1996, considerado pioneiro no Brasil na investigação de casos envolvendo crianças.
O desaparecimento de Guilherme permaneceu cercado de mistério. Naquele dia, ele chegou a ligar para a mãe pedindo autorização para usar um dinheiro que havia encontrado na rua.
Pouco antes do almoço, saiu de bicicleta pela última vez, no bairro Jardim Social. A polícia fez buscas, utilizou cães farejadores e vasculhou até um rio próximo, mas não encontrou pistas, nem mesmo a bicicleta.

Arlete buscava pelo filho e virou sinônimo de esperança
Mesmo com o passar dos anos, Arlete nunca abandonou a esperança. Em entrevista ao documentário Arlete: o legado de Guilherme, de estudantes da Universidade Positivo, no ano passado, ela deixou claro que seguia à espera de respostas.
“Uma vez uma mãe me encontrou e disse ‘não desista’, ela perdeu um filho e 46 anos depois encontrou. Ela disse ‘não desista porque um dia você vai ter uma resposta’, é o que eu espero, ter uma resposta para tentar sobreviver”
disse Arlete Caramês
Ao longo dos anos, Arlete se tornou referência nacional na causa, fundando o Movimento Nacional da Criança Desaparecida do Paraná e ajudando outras famílias a enfrentarem o mesmo drama. Depois de tornar vereadora em Curitiba, ela também atuou como deputada estadual de 2003 a 2006.
Dentro de casa, mantinha intactas as lembranças do filho: roupas, objetos e fotos, como se o tempo tivesse parado naquele dia.
Arlete morreu sem respostas. Mas a luta que ela iniciou vai se manter viva. Veja o documentário feito pelos estudantes da Universidade Positivo:
Câmara Municipal lamenta morte de Arlete
Em nota, a Câmara Municipal de Curitiba lamentou a morte de Arlete Caramês. Natural de Porto União (SC) e bancária de profissão, Arlete tornou-se ativista e ingressou na política após o desaparecimento de seu filho.
“Arlete Caramês foi uma mulher inspiradora, que nos deixou um grande legado. Após um evento traumático, transformou-se em ativista e, também por meio da política, conseguiu avanços efetivos na proteção das crianças e dos adolescentes. Nossos sentimentos aos amigos e aos familiares”
declarou o presidente da CMC, vereador Tico Kuzma (PSD).
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