“O Greca presta atenção, a UPA Pinheirinho é da população”. Foi com esta frase que moradores do bairro Pinheirinho, em Curitiba, protestaram, na manhã desta terça-feira (23), contra o fechamento da Unidade de Pronto Atendimento (UPA). O anúncio de que a UPA do Pinheirinho fechará no dia quatro de novembro, dando lugar para uma Unidade de Pronto Atendimento especializada em emergências psiquiátricas a partir de 1° de dezembro, gerou revolta.

Segundo Lucimeire Veiga Santos, usuária da UPA e moradora do bairro, a decisão é revoltante. “É muito injusto fazer isso. Não sei de onde a Prefeitura de Curitiba tirou que a demanda é pequena. Eu já levei quatro horas para ser atendida aqui. Imagine agora sem ela, tendo que me deslocar. Se já não é bom com ele aberto, imagine fechado”, reclamou.

Salete Célia Januário, moradora no Pinheirinho, afirmou que a decisão vai piorar o atendimento. “Eu acho isso um absurdo. Ao invés de melhorar o atendimento, vai ficar ruim. Sou da Associação da Vila Machado e ninguém está achando isso justo. Se fechar, fará muita falta para todos”, lamentou.

Também presente na manifestação, o autônomo Luiz de Oliveira contou que no fim de semana quase morreu. “Se a UPA estivesse fechada, eu teria morrido, porque a minha pressão estava alta demais. Não tem necessidade de fechar, porque todo mundo precisa deste lugar. Sou uma testemunha vivo disso”, relatou.

Outro lado

De acordo com a secretária municipal da Saúde de Curitiba, Márcia Huçulak, a mudança tem como objetivo trazer mais eficiência aos serviços da rede, reforçando o atendimento numa área com demandas que exigem uma atuação mais especializada.

A nova unidade de emergência psiquiátrica funcionará como referência para as demais UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) e também para o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), cujos atendimentos poderão ser encaminhados à nova unidade, onde será feita a estabilização clínica dos pacientes.

É comum, por exemplo, um paciente com transtornos mentais apresentar quadro de surto psicótico, que exige contenção física. Quanto esse atendimento ocorre numa UPA tradicional, há impactos em todos os demais serviços prestados no espaço.

“Após a estabilização do quadro, o paciente poderá receber alta, acompanhada de vinculação dos serviços da rede de saúde mental para acompanhamento, ou poderá ser encaminhado para internamento em leito hospitalar, quando o caso assim exigir”, explica a secretária. “Curitiba precisa de uma unidade específica para estabilização de casos de emergência relacionados à saúde mental.”

A proposta de mudança foi submetida à Comissão de Saúde Mental, do Conselho Municipal de Saúde, e aprovada por unanimidade. “É uma medida importante e necessária”, avaliou Adilson Tremura, presidente do conselho que é responsável pelo controle social do Sistema Único de Saúde (SUS).

Local

De acordo com Marcia Huçulak, a escolha do espaço se deve ao fato de a UPA Pinheirinho ter registrado diminuição no volume de atendimentos, ao mesmo tempo em que foram abertas duas outras UPAs na capital, a do Tatuquara e da CIC – juntas, elas ampliaram em quase 26 mil atendimentos a capacidade mensal da rede curitibana. A UPA Fazendinha também é opção de atendimento para a região do Pinheirinho.

 

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Revoltados, moradores protestam contra fechamento da UPA Pinheirinho

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