A decisão do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que anulou todas as condenações do ex-presidente Lula (PT) pela 13ª Vara Federal da Justiça Federal de Curitiba, causou revolta entre opositores do petista. Manifestantes contra a deliberação se reuniram em frente à casa do magistrado, no bairro Hugo Lange, em Curitiba, e protestaram com um buzinaço na noite desta quarta-feira (10).
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Um vídeo (assista abaixo) mostra que grande parte dos manifestantes decidiram permanecer dentro dos carros e poucos desembarcaram. A bandeira do Brasil apareceu nas mãos de alguns e também nas janelas dos veículos.
“O cara [Edson Fachin] rasgou a Constituição e o Código Penal. Ele está fazendo um favor [ao Lula], sendo complacente demais e tem alguma coisa estranha… Acho que ele deve ser amigo do Lula”, disse a aposentada Paula Andrade à Banda B.
O advogado Rodrigo Reis afirmou que a decisão de Fachin foi “monocrática”, isto é, proferida por um único magistrado, de qualquer instância ou tribunal. “Todas as ações contra o Lula passaram por mais de 10 juízes. Passou em 1ª instância, no TRE (Tribunal Regional Eleitoral), no STJ (Supremo Tribunal de Justiça), no STF (Supremo Tribunal Federal)… E agora, com uma só canetada, ele quer anular todos os processos contra o ex-presidente Lula?”, questionou.
A Polícia Militar afirmou à Banda B que cerca de 350 pessoas estiveram na manifestação que durou poucos minutos.
Decisão e primeiro discurso
A determinação do ministro Edson Fachin de anular todas as condenações contra o ex-presidente Lula pela 13ª Vara Federal da Justiça Federal de Curitiba, responsável pela Operação Lava Jato, pegou todos de surpresa nesta segunda-feira (8). Proferida a decisão, surgiram as especulações sobre uma possível candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva à presidência da república em 2022, já que retomou seus direitos políticos.
O petista chegou a ser condenado em duas ações penais, por corrupção e lavagem de dinheiro, e esteve preso entre 2018 e 2019.
Em sua primeira manifestação após o veredito de Fachin, o ex-presidente fez duras críticas ao governo Jair Bolsonaro (sem partido): “Este país não tem governo, este país não cuida da economia, não cuida do emprego, não cuida do salário, não cuida da saúde, não cuida do meio ambiente, não cuida da educação, não cuida do jovem, não cuida da menina da periferia”, afirmou.
“Não siga nenhuma decisão imbecil do presidente da República e do ministro da Saúde, tome vacina”, pediu Lula.
Candidatura
No dia 18 de fevereiro deste ano, Lula chegou a afirmar durante uma entrevista ao colunista Kennedy Alencar, do portal UOL, que poderia disputar as eleições em 2022 caso o STF declarasse a suspeição do ex-juiz Sergio Moro e lhe devolvesse seus direitos políticos.
18 dias após a declaração, veio a decisão de Fachin. Agora, ministros da Suprema Corte julgam se o ex-ministro da Justiça do governo Bolsonaro teve uma conduta parcial nos processos que envolvem Lula. Porém, o julgamento foi suspenso depois que Kássio Nunes Marques pediu suspeição (mais tempo para analisar).
Do outro lado, as especulações sobre a candidatura de Lula nas próximas eleições presidenciais tomam força. Uma pesquisa feita pela CNN em parceria com o Instituto Real Time Big Data mostra Bolsonaro em primeiro lugar nas intenções de voto, e Lula fica atrás com 10 pontos.
Levantamento indica que Bolsonaro conta com 31% dos votos. O valor é dez pontos percentuais a mais que o segundo colocado, o ex-presidente.