O paranaense Jacir de Melo dedicou mais de 30 anos da vida à educação e tinha os alunos e os colegas de trabalho como uma grande família. Tão grande quanto foi a sua, de sangue.

Foto: Arquivo da família.
Nascido pelas mãos de uma parteira, em casa, em um distrito do município de Rebouças, na região Sul do Paraná, chamado Riozinho dos Santos, o professor foi penúltimo de 15 irmãos – dez homens e cinco mulheres, como conta a irmã caçula entre as mulheres, Eliane de Melo.
“Foi o nenê dos homens”,
diz ela.
Jacir teve uma vida difícil no interior. Até a adolescência, viveu em Riozinho dos Santos. Três anos depois do falecimento do pai, ele, a mãe e os irmãos mudaram-se para Rebouças. Jacir era católico e queria ser padre. Ele escolheu seguir o caminho do seminário e, prestes a se tornar diácono, desistiu da vida religiosa.
Carreira na cidade grande
Já formado na faculdade de História, se mudou para a capital do Paraná. Na cidade grande, começou a trabalhar e a se especializar. Fez pós-graduação e diversos outros cursos, ingressou na Secretaria de Estado da Educação (1992) e realizou o sonho de ser professor do Colégio Estadual do Paraná (CEP), conta a irmã mais nova.
“Ele era uma pessoa tão realizada no trabalho dele, nesse colégio – um dia ainda quero conhecer. Esse colégio era a vida dele. Ele tinha o maior orgulho de dizer que trabalhou no Colégio Estadual do Paraná”,
declara Eliane.
Segundo ela, foram 18 anos na instituição. Ele também era professor do Colégio Estadual Teotônio Vilela, que fica na Cidade Industrial de Curitiba (CIC). Em ambos, ele era muito amado. As escolas eram como uma segunda casa para Jacir, tamanha dedicação e amor pelos alunos e companheiros de trabalho.
“A gente até queria que ele viesse embora para Rebouças. A gente é uma família muito unida, na alegria, na tristeza. Mas ele dizia que a vida dele era o Colégio Estadual, os alunos dele, os amigos, os professores. A vida dele era no colégio.”
E a recíproca é verdadeira. Eliane foi testemunha da alegria do irmão por todo amor recebido dos estudantes. A família não tinha ideia que Jacir era tão amado pelos alunos e professores.
“Ele seria homenageado na sexta-feira (3 de março), dia em que não foi trabalhar.
diz a irmã.
Quando era pra ser professor homenageado, ele mandou um vídeo no grupo da família, chorando e feliz, porque ia ser homenageado. Nós não tínhamos noção do quanto ele era feliz em Curitiba e querido por todos. É muito gratificante, ameniza um pouco a dor da gente e saber o por que ele não queria vir. É porque era muito querido, muito amado por todos. Isso dá um alívio na gente”,

Foto: Divulgação/CEP.
De volta às origens
Jacir tinha uma família muito grande e festeira. Dos 14 irmãos de Jacir – dois deles falecidos – nasceram 41 sobrinhos. O professor era muito discreto e adorava estar reunido com todos sempre que possível.
“Ele era muito na dele, não queria incomodar ninguém, era muito família. Antes da minha mãe morrer, toda vez vinha para cá, depois demorou mais tempo, só nas férias, feriados. Era querido por todos, pelos irmãos, cunhados, cunhadas, sobrinhos. Todo mundo queria muito bem a ele.”
A ideia de Jacir era retornar a Rebouças somente quando parasse de lecionar. “Ele dizia que o sonho dele era se aposentar e ir para Rebouças e construir uma casinha. Acho que não iria demorar muito para isso acontecer.”
Jacir de Melo morreu aos 53 anos (e não 56, com informado inicialmente). Ele era solteiro e deixou 12 irmãos (dos 14 da família) e 41 sobrinhos.



