Servidores do Hospital das Clínicas (HC), em Curitiba, paralisaram os trabalhos e foram às ruas nesta quarta-feira (28), por conta de um movimento nacional dentro dos hospitais federais, que tem como principal reivindicação o reajuste dos salários acima da inflação. Eles ainda alegam que a empresa responsável pelos contratos dos colaboradores, que é uma estatal vinculada ao Governo Federal, não está cumprindo com o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT).
A empresa e o HC se posicionaram por meio de notas enviadas à Banda B. Veja abaixo.
A paralisação dos servidores do HC começou às 10 horas, em Curitiba. Diante da situação, uma passeata foi feita até o Passeio Público com o intuito de tornar público as reivindicações (imagens abaixo).
Os organizadores alegam que a greve está amparada pela lei e começou desde o dia 21 de setembro entre servidores de 40 hospitais federais vinculados à empresa contratante dos servidores da Saúde. Os membros afirmam que 60% dos trabalhadores estão no hospital para não deixar os pacientes desassistidos.
Na capital do Paraná, além da passeata feita nesta quarta-feira (28), os servidores tem se concentrado na frente da filial em Curitiba da estatal que os contratam. Renato Koth, que é um dos líderes do movimento, explicou que as cláusulas dos ACTs estão estagnadas há quase quatro anos.
“Pedimos o reajuste salarial da cobertura da inflação, a manutenção de todas as clausulas sociais, para alguns cargos administrativos um adicional além da inflação de R$ 600, por conta da defasagem salarial reconhecida pela empresa, e a manutenção do adicional de insalubridade”, iniciou.
O que dizem os servidores?
A greve reúne diversos profissionais da Saúde, tais como: médicos, técnicos de enfermagem, enfermeiros, além da classe administrativa. Uma médica, que não quis ser identificada, afirmou à Banda B que a empresa ameaçou fazer um corte nos valores ligados aos adicionais de insalubridade.
De acordo com a mulher, isto representaria um corte de quase R$ 2 mil nos vencimentos mensais
“A gente recebe 20% de insalubridade sobre o nosso salário base. Eles querem fazer um substitutivo no ACT do salário base para o salário mínimo. É um absurdo. É uma perda real no salário, que vai inviabilizar o meu trabalho no HC. Vou ter que pedir as contas e sair do hospital”, alegou.
Uma outra funcionária do HC, que é técnica de enfermagem e também não será identificada, alegou que a estagnação das cláusulas dos ACTs se deve porque a empresa não tem feito as convenções anuais que discutem estes pontos nos contratos de trabalho.
“Nossa luta é contra a empresa, que há três anos não atualiza nosso ACT. Já fazem sete dias que estamos em greve, mas hoje resolvemos sair para que todos soubessem. Já tentamos vários acordos, mas eles não quiseram e, inclusive, querem retirar benefícios”, completou.
Greve por tempo indeterminado
Os líderes ainda ressaltaram que os colaboradores estão se revezando nas paralisações e acreditam que até 500 profissionais já aderiram ao movimento, que chegou ao oitavo dia nesta quarta-feira (28). A greve, segundo Koth, é por tempo indeterminado.
“Não gostaríamos de estar realizando esta greve. Infelizmente, ela se tornou necessária porque chegamos ao limite. Isto se deve em função do descaso da empresa com os profissionais que salvam vidas”, finalizou à Banda B.
Espaço Banda B – Hospital das Clínicas (HC)
Em nota, o Complexo do Hospital de Clínicas da UFPR/Ebserh informou o seguinte à reportagem.
- Uma comissão trabalha para avaliação, período a período, dos impactos em seu quadro de profissionais.
- As cirurgias de emergência continuam sendo realizadas e os serviços essenciais foram mantidos.
Espaço Banda B – Ebserh
A Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), que coordena a gestão de serviços dos hospitais federais do Brasil, se posicionou por meio de uma nota. Leia o texto na íntegra, abaixo:
A Ebserh esclarece que o processo de negociação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) com as entidades sindicais teve mais de 20 rodadas e ofertas de aumentos feitas pela empresa, porém sem que se chegasse a um consenso. Diante do impasse nas negociações, a Ebserh peticionou no dia 10 de agosto, no Tribunal Superior do Trabalho (TST), pedido para análise dos ACT’s em curso, requerendo o julgamento imediato do dissídio coletivo, inclusive quanto aos ACTs em aberto, visando a resolução do fato.
Com o início das manifestações, fica ainda mais clara a vontade dos empregados, semelhante à da Ebserh, em uma resolução rápida. Nesse momento de impasse, o melhor formato para uma resolução célere é o julgamento no TST. A Ebserh já havia solicitado ao TST, no dia 10 de agosto, requerendo o julgamento imediato do dissídio coletivo, visando a resolução do fato.
Com a concordância recente das entidades sindicais para o TST com a apreciação das cláusulas econômicas, a Ebserh peticionou, nesta quarta (28), solicitando julgamento imediato do dissídio.
Sobre os atendimentos nos hospitais, a estatal informa que a relatora do dissídio coletivo no Tribunal Superior do Trabalho (TST), ministra Delaíde Alves Miranda Arantes, determinou o percentual mínimo de manutenção de trabalhadores, em seus respectivos locais de trabalho, na base de 50% (cinquenta por cento) em cada área administrativa e de 60% (sessenta por cento) para cada área médica e assistencial, sob pena de multa diária de R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais), em caso de descumprimento. Dentro desse contexto, todos os esforços estão sendo feitos para readequar escalas e manter os serviços em funcionamento.
Nota da Ebserh à Banda B.
Vídeo – paralisação em Curitiba
Veja as imagens do movimento dos servidores, abaixo: